Arquitetura mostra a história
Na província do Sind, no vale do Rio Indo, floresceu uma das mais fascinantes civilizações da história. Localizado a cerca de 500 quilômetros de Karachi, o sítio arqueológico de Mohenjo-Daro destaca-se entre as cidades arqueológicas, habitada entre 2300 a 1750 anos a.C. Os arqueólogos ainda não conseguiram explicar por que a cidade de Mohenjo-Daro, bem como as outras que existem no vale do Indo, chamadas de Harapa, desapareceram bruscamente. Sem mais e sem menos as populações abandonaram as cidades e se fundiram ou foram dominadas por outros povos.
A cidade de Lahore, a segunda maior do Paquistão, sede da província do Pendjab, tem cerca de 4 milhões de habitantes e fica no nordeste do país, a poucos quilômetros da Índia. Estão lá os centros administrativo, cultural, religioso, além de indústrias têxtil, metalúrgica, química e couros. Fervilha em Lahore a cultura islâmica, com monumentos da época da dominação mongol, notadamente a partir de 1500.
Na província do Pendjab, a cidade de Multan, área central do território, com cerca de 1 milhão de habitantes, fica na rota do visitante, já que existe no local um entroncamento ferroviário, e é de trem que se conhece muito do Paquistão. Cerca de 320 anos aC., o conquistador Alexandre o Grande, passou pela região, consagrando a fabulosa escalada que conseguiu atingir em vida. Há muitos templos islâmicos em Multan, destacando-se o mausoléu de Shah Rukan-i-Alam, de 1320, decorado por fora com azulejos e arabescos.
Em Peshawar, cidade de cerca de 700 mil habitantes, ao norte, quase na fronteira com o Afeganistão, há um centro comercial e artesanal de vulto, além de universidade e também um museu, que abriga uma rica coleção de objetos arqueológicos do sítio de Gandhara. Este sítio foi habitado desde o século 6 a.C., e é célebre pelas representações de Buda, guardadas no museu da cidade. Há ainda em Peshawar vestígios de grande monumento funerário, chamado de estupa, do século II da era cristã. A mesquita de Mahabat Khan, de 1630, com seus minaretes clássicos, é um belo exemplo do que há de melhor na arte islâmica.
Em Peshawar impera um mercado aberto, sem nenhuma regra, onde quem pode mais chora menos. Para poder basta ter no bolso um punhado de dólares. Armas de todos os calibres, munição, sexo, drogas (só não se escuta rock'n roll, para não dar muito na vista), tudo está à venda, como numa grande feira. O país é muçulmano e impõe restriçoes, principalmente quanto à conduta sexual. Mas, se tem dólar em jogo, há sexo livre, bebidas alcoólicas e ópio à vontade.
Estar localizada a poucos quilômetros da fronteira com o Afeganistão fez com que Peshawar se transformasse um local propício para refugiados afegãos. Acossados por duas décadas de domínio soviético, secas que volta e meia assolam o país e, atualmente, o advento do Taleban, os afegãos fugiram em massa e vieram parar nos campos em Peshawar. Monitorados por organizações humanitárias, os campos de afegãos exibem miséria e expõem a ferida causada pelos muitos conflitos da região. A probabilidade de uma guerra faz com que Peshawar fique ainda mais tensa. Perdem os turistas, que se privam de conhecer aspectos culturais únicos na história mundial. (M.B.)





