Mesmo com a possibilidade de receber um projeto para o Teatro Municipal concluído e gratuito de uma arquiteta de Londrina, o secretário Municipal de Cultura, Luciano Bitencourt, declarou que será necessário elaborar um concurso público para escolher a melhor proposta. ''Por ser uma obra pública é essencial que se abra concorrência, até para prestar contas para a comunidade'', argumenta o secretário.
Para a construir do Teatro Municipal, a Prefeitura entrou em confronto com corretores imobiliários, o que gerou muita polêmica na época. No final de 2003, o prefeito Nedson Micheleti (PT) decretou o terreno do antigo Colossinho, na Zona Oeste de Londrina, área de utilidade pública. Porém, em meados de 2004, os donos da propriedade tentaram vender o lote para a rede de supermercados Wall-Mart.
Segundo o procurador do município, Mauro Yamamoto, a questão ainda não foi resolvida. ''O juiz da 7 Vara Cível, José Cichocki Neto, deu parecer favorável aos donos do terreno, mas, outra vez vamos recorrer ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJ)'', afirma o procurador. Ele espera que o TJ reforme a decisão em primeira instância do juiz da 7 Vara para que o terreno seja definitivamente desapropriado.
Em meio a tantas discussões, a arquiteta Flávia Gomes de Oliveira Eugênio, de 23 anos, viu seu sonho de ter o nome na placa do teatro escapar. ''Não pretendia receber nada pelo projeto, que foi meu trabalho de conclusão de curso, somente o honra da autoria'', declara. A arquiteta que pretendia doar seu projeto para a prefeitura, ainda não sabe o que vai fazer.
Na última terça-feira, 12 de abril, Flávia se reuniu com o prefeito Nedson Micheleti (PT), o secretário de Cultura. Luciano Bitencourt, e o secretário de Obras, Aloysio Crescentine de Freitas, para apresentar a planta que elaborou. ''Eles gostaram muito, só cogitaram a possibilidade de ampliar uma das salas para dois mil espectadores'', conta a arquiteta.
Flávia também foi convidada pelo prefeito para participar da próxima reunião do Conselho Municipal de Cultura, que será dia 30 de abril. ''Para aceitar o projeto sem pagar, o prefeito disse que precisaria abrir uma licitação de doação'', explica. Mesmo assim, a arquiteta já está satisfeita pelos elogios que recebeu e por seu projeto atender às expectativas da prefeitura.
Pela planta da arquiteta Flávia, o prédio teria espaço para a abrigar a Secretaria de Cultura, uma escola de teatro e até salas de ensaios que poderiam ser utilizadas no Festival Internacional de Teatro de Londrina (Filo). Quanto ao espaço para o público, a arquiteta projetou duas salas de espetáculos, uma com capacidade para 938 pessoas e outra, para 1328 espectadores.
Enquanto o projeto não é escolhido, a verba da União conseguida pelo então deputado federal Paulo Bernardo (PT), atual Ministro do Planejamento, para a viabilização da obra deve ficar nos cofres públicos, uma quantia de cerca de R$ 380 mil. ''Isso eles vão gastar só com o projeto'', afirma Flávia.
O secretário Luciano Bitencourt estima que o valor do projeto possa superar a quantia repassada pela União. ''É uma obra de infra-estrutura, que mexe com a região. Temos que abrir espaço para os escritórios com experiência neste tipo de obra'', justifica Bitencourt.
Quanto ao prazo para a o ínicio da construção, o secretário prefere não falar em datas. ''Posso dizer que estamos fazendo o possível para acelerar este processo'', afirma Bitencourt. Ele conta que já se reuniu com o Conselho Municipal de Cultura para discutir a necessidade do concurso. ''Ainda temos que estabelecer as características do Teatro e fazer uma discussão com a comunidade.''

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