ARQUITETURA - Bolshoi terá projeto de Niemeyer
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quarta-feira, 10 de dezembro de 2003
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - No ano que vem, a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil não vai comemorar apenas os quatro anos de instalação no País. A instituição, braço de uma das mais conceituadas escolas no mundo, vai lançar em março a pedra fundamental do prédio definitivo da filial brasileira, em Joinville, em Santa Catarina. A única filial da escola fora da Rússia foi inaugurada na cidade catarinense em 2000 e funciona atualmente num prédio construído a toque-de-caixa. Dessa vez, no entanto, a instituição anuncia mudança em grande estilo: o novo prédio foi projetado por Oscar Niemeyer, o maior arquiteto vivo brasileiro. As obras, com previsão de investimento de R$ 40 milhões, devem ser concluídas em dois anos.
Aos 96 anos, Niemeyer aceitou fazer o seu primeiro projeto para uma escola de dança por um questão quase sentimental. O arquiteto conviveu com o pai de João Prestes, atual representante do Teatro Bolshoi no Brasil e marido da diretora geral da escola russa no Brasil, Jô Brasca Brandão. O filho mais velho de Luiz Carlos Prestes foi o mentor da parceria, responsável pelos primeiros contatos com Niemeyer.
A relação fez com que o arquiteto cobrasse custos quase simbólicos pelo projeto de 40 mil metros quadrados de área construída. Foram R$ 900 mil, arcados pelo governo de Santa Catarina (geralmente, os projetos assinados por Niemeyer podem alcançar os R$ 7 milhões). Já para a conclusão da obra, a escola vai contar com parcerias nacionais e internacionais, de empresas estatais e privadas.
Por enquanto, essas parcerias ainda estão sendo firmadas, conforme avisa o assessor da supervisão geral da escola no Brasil, Henrique Beling. Ele adianta que a única parceria firmada é com a Tigre, que vai responder, sob forma de patrocínio, por toda a parte hidráulica do projeto, o que corresponde a 7% do total do valor estimado da obra. Também existem empresas italianas e russas, interessadas em injetar recursos no projeto.
A nova sede da escola vai ser construída numa área preservada de 500 mil metros quadrados, no bairro Boa Vista, em Joinville. Para projetar a obra, o arquiteto levou em conta a localização do terreno e criou uma torre de 17 andares, um mimo com direito a terraço com vista para o mar. Na torre serão alojados alunos e professores da escola (atualmente, a filial brasileira não oferece alojamento).
A nova escola vai contar ainda com 20 estúdios de piano (atualmente são 11); complexo cultural com cinema, biblioteca, cyber café e administração, além de um grande teatro com direito a fosso para orquestra. O espaço com capacidade para 1,1 mil lugares na platéia é a coqueluche da obra, já que a instituição quer investir na ampliação do mercado de dança no Brasil, ter um espaço próprio para mostrar as coreografias próprias e receber visitantes ilustres.
Com o projeto, por exemplo, a direção da filial brasileira pode sonhar vôos mais altos. A intenção é montar, a exemplo do que acontece na Rússia, uma orquestra própria da escola, instalar a própria companhia de balé e abrir mais espaço para dança contemporânea. ''Nosso foco principal é a dança clássica, mas queremos ter um repertório amplo para que os alunos que saem da escola encontrem espaço em qualquer grande companhia do mundo'', diz Henrique Beling.
Hoje a escola tem quase 300 alunos, 80% deles bolsistas. Em 2006, quando existe a previsão de conclusão da nova sede, a filial brasileira terá ampliado esse número para 700 alunos, já que a cada ano, 80 novos aspirantes a bailarinas e bailarinos ingressam na instituição. Hoje a escola inicia audição para novos alunos. Os testes vão até o próximo dia 10. Os novos alunos, vindos de todas as partes do Brasil, ingressam na escola em 2004.
Durante esses quase quatro anos de existência, os alunos da escola já se apresentaram em diversas cidades brasileiras (entre elas Curitiba, Recife e João Pessoa) e na Alemanha. No ano que vem, já têm apresentações agendadas na Alemanha, Suíça e Itália.


