O artista plástico Alfredo Andersen foi um dos pintores que melhor retraram o Paraná. Eclético, Andersen fez retratos, paisagens e pintou cenas de gênero como mulheres em seus afazeres e o cotidiano da cidade. Através da obra de Andersen é possível estudar um lado interessante da História do Paraná.
Ontem, o pintor faria 138 anos de nascimento. Para comemorar esta data, o Museu que leva seu nome, organizou uma bela homenagem. que tem início hoje e permanece um mês. Parte do Museu ficará ambientado como se o pintor ainda morasse na casa. Para tanto, sete arquitetos convidados, pesquisaram o estilo de vida da época e montaram os ambientes com uma obra do ‘‘pai da pintura paranaense’’.
A mostra intitulada ‘‘Parabéns Mestre Andersen’’ vai ser aberta hoje, às 20 horas. Na oportunidade haverá a entrega oficial da obra Retrato de Ludovico R. Bienick ao Museu, por meio de termo de comodato entre a Sociedade Amigos de Alfredo Andersen e a Secretaria de Estado da Cultura.
Essa homenagem é uma maneira diferente de comemorar o aniversário de Andersen. ‘‘Gostaríamos de deixar tudo preparado como se o próprio dono da casa fosse receber seu amigos’’, diz Amarilis Puppi, diretora do museu.
Cada um dos arquitetos escolheu um quadro do mestre para compor os espaços especiais que vão ser montados nas diversas salas. O museu funciona na casa onde Andersen viveu entre 1915 e 1935, ano de sua morte.
Nascido na Noruega em 3 de novembro de 1860, na cidade de Kristiansand, Alfredo Emílio Andersen, ainda adolescente, foi estudar na Itália, onde conheceu os movimentos de arte da época. De volta a Noruega foi aceito como discípulo de Wilhelm Krog. Em 1879 ingressos, por concurso, na Academia Real de Artes de Copenhague, onde permaneceu até 1883. Lá atuou como professor, rompendo com a tradição de ensino do Desenho através de cópia de gravuras impressas, adotando em modelo vivo.
Na Europa, Alfredo Andersen etava perfeitamente integrado às elites artisticas e culturais. Possuia amigos intelectuais de enorme projeção. Era pintor, cenógrafo, arranjador teatral e fez incursões pela música. Viajou pela Europa, Àsia, Índia e Américas.
Em 1982, o pintor desembarcou em Paranaguá por acaso. Seu navio ia para Buenos Aires e fez uma parada em terras parnanguaras. Andersen vinha sozinho. Os pais ficaram na Noruega. Como ele fazia uma viagem de pesquisa, resolveu ficar.
Cativado pelo Brasil, fixou residência aqui. Por dez anos permaneceu em Paranaguá, casando-se com a parnanguara Anna de Oliveira, com quem teve quatro filhos. Em 1902 transferiu-se para Curitiba, montando um ateliê na Rua Marechal Deodoro, onde fundou sua Escola de Desenho, atuando como porfessor em diversas instituições públicas e privadas do Estado.
Alfredo Andersen foi, acima de tudo, o grande animador das Artes Plásticas no Paraná. Não exigiu subordinação de escolas, não impôs maneiras, não preferiu gêneros. Formou, de modo pioneiro, algumas gerações de pintores do Paraná. Foram seus discípulos nomes como os de Estanislau Trapple, Freyesleben, Lange de Morretes, Theodoro de Bonna, Maria Amélia D’Assumpção, Isolde Hotte, Thorstein Andersen, Rodolpho Doubek, Raimundo Jaskulski entre outros. O amor do pintor à paisagem paranaense, e o pioneirismo de suas escolas, a última fundada em sua casa na Mateus Leme, deram-lhe o título de Pai da Pintura Paranaense.

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