Arquiteta encantou-se com o Brasil porque não havia "ruínas" e tudo estava por construir
Arquiteta encantou-se com o Brasil porque não havia "ruínas" e tudo estava por construir17/Mar, 16:22 Por Maria Hirszman São Paulo, 17 (AE) - Lina Bo Bardi (1914- 1992) é italiana de nascimento, mas brasileira por opção. Foi aqui que ela descobriu sua profissão e se tornou uma das maiores arquitetas do País assinando projetos arrojados como o prédio do Masp e a transformação de uma antiga fábrica no dinâmico Sesc Pompéia - iniciativa agora documentada em livro. Ela se formou na Itália, onde chegou a militar no Partido Comunista, e se casou com Pietro Maria Bardi (um homem 14 anos mais velho do que ela). Mas encantou-se com o que viu ao desembarcar pela primeira vez no País, em 1946. Afinal, aqui "não havia ruínas" e tudo estava por ser construído. "Quando cheguei fiquei atordoada; era um pessoal desaforado, ordinário, maravilhoso", testemunhou. Consta que foi graças a sua paixão pelo Rio que o casal se mudou definitivamente para o País, depois que o crítico e marchand aceitou o convite de Assis Chateaubriand para fundar o museu que viria a ser o Masp. Quatro anos após a mudança, Lina já havia adquirido a nacionalidade brasileira. Seu primeiro encanto foi com o Rio, mas Lina espalhou projetos por todo o País - do Solar do Unhão, em Salvador, à Igreja do Espírito Santo do Cerrado, em Uberlândia - e principalmente por São Paulo. Foi aqui que ela construiu, em 1951, seu primeiro projeto, a Casa de Vidro, onde morou por mais de 40 anos. Essa casa transparente, situada em meio à floresta no bairro paulistano do Morumbi, é um de seus trabalhos mais poéticos. Como arquiteto (ela não gostava de usar a palavra no feminino) era extremamente rigorosa em seus projetos, mas afirmava que gostava de aliar poesia e responsabilidade social em suas obras. Ela também gostava de englobar todas as dimensões do trabalho. No caso do Sesc Pompéia, por exemplo, Lina não se contentou em apenas adaptar o prédio para atividades esportivas e culturais, como cuidou de cada detalhe, projetando desde as janelas recortadas que dão uma leveza surpreendente ao prédio até os pratos, mesas e cadeiras do teatro. Outra característica interessante da obra é que ela depende do público para existir. Quem visitar o Sesc Pompéia poderá encontrar - discreta e displicentemente largado num canto da área de conveniência - um montinho de pedras usadas na construção. Essa foi a forma sutil encontrada pela arquiteta para lembrar que esse seu trabalho está em permanente reconstrução.





