Curitiba - Uma descoberta feita durante o trabalho de restauração da Capela Santa Bárbara do Pitangui, no Caminho das Tropas, próximo à cidade de Ponta Grossa, vai ajudar a mapear os costumes do povo que viveu na região, no século 18. Foram encontradas partes do crânio, dois pedaços de ossos pertencentes ao fêmur, duas alças de caixão e um sapato de uma criança enterrada no local.
Ao descobrir o material, a arqueóloga do Museu Paranaense, Cláudia Inês Parellada, ficou animada. Ela acredita ter em mãos um valioso material arqueológico para o estudo dos hábitos do período em que a criança viveu.
Os ossos da garota, de supostos dez anos de idade, foram encontrados pelos operários que trabalham na restauração da capela. Ela foi enterrada na parte interna da construção. Assim que aconteceu a descoberta, Claúdia imediatamente pediu que fossem interrompidas as obras, para que se iniciasse um processo sério de arqueologia lá.
A partir do material que tem em mãos, a arqueóloga acredita poder iniciar novas descobertas na região. O controle da pesquisa será feito pela Coordenadoria do Patrimônio Cultural da Secretaria de Estado da Cultura. Segundo ela o trabalho pode levá-los a outras ossadas. Acredita-se que houve afundamento de terra naquele local.
Os primeiros sinais apontando que poderia existir algum tipo de material para pesquisa, foram encontrados há 20 dias, quando a reforma do piso de cerâmica começou.
''Demorou uma semana para sermos avisados'', contou a arqueóloga. ''Quando chegamos lá, na última sexta-feira, já haviam remexido no material, deixando-o em lugar impróprio para a conservação'', reclama.
De posse do material, a equipe de arqueologia do Museu Paranaense transferiu-o para seu laboratório, no Palácio São Francisco, sede do museu.
Localizada ao longo do Caminho das Tropas, estrada que ligava Viamão (RS) a Sorocaba (SP), a Capela Santa Bárbara, assim como a Nossa Senhora das Neves, de Palmeira, e a Nossa Senhora de Tamanduá, de Balsa Nova, é uma construção tombada pelo Patrimônio Histórico.
As três são importantes exemplares da arquitetura do século 18. ''Além do valor histórico, essas construções são um potencial de pesquisa arqueológica'', explica a diretora da Coordenadoria do Patrimônio Cultural, Rosina Coeli Alice Parchen.

Ao longo do Caminho das Tropas, várias capelas como a de Nossa Senhora do Tamanduá foram tombadas pelo Patrimônio Histórico. No detalhe, está a Capela Santa Bárbara do Pitangui, onde foram feitas as descobertas arqueológicas

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