Arnaldo Jabor
Arquivo FolhaOs tempos são tão duros que vamos ficando com pele de rinoceronte. Temos de desviar os olhos da miséria, dos meninos de rua, dos espancados da favela. Eles são os outros. Dói na gente vê-los sofrer, mas é uma dor com alívio, com a secreta euforia de que escapamos do meio fio, da sopa dos mendigos, de Ruanda, do Zaire.
Mas os vídeos amadores estão virando nossos olhos ao contrário, com filmes diretos do centro da dor. Não são mais as imagens da miséria que, fotografada para criar uma comiseração vazia, só benefecia seus autores com uma aura de bem. Choquei-me com Diadema e com suas imagens pedindo socorro. Mas fiquei com mais pena ainda dos 39 suicidados americanos de Santa Fé. Por que será? Afinal são um bando de babacas dentro de uma mansão da Califórnia, que gravaram um testamento em tape, despedindo-se de nós. são místicos hi-tech.





