Arnaldo Cohen abre temporada musical do Teatro Alfa
São Paulo, 12 (AE) - O pianista brasileiro Arnaldo Cohen abre neste fim de semana a temporada musical do Teatro Alfa. Acompanhado pela Orquestra Sinfônica Municipal, dirigida pelo maestro Roberto Tibiriçá, ele interpreta peças de Chopin, Mozart e Tchaikovski. O programa é bastante abrangente, reunindo obras de diferentes períodos e estilos. "É como se uma pessoa, de um cume de uma montanha, pudesse olhar diferentes paisagens de modo diverso", afirma Cohen.
Na primeira parte, o pianista interpreta a "Balada para Piano n.º 1 em Sol Menor" e a "Balada para Piano n.º 4 em Fá Menor", de Chopin. Compostas em 1831 e 1842, respectivamente, as duas peças têm grande intensidade dramática. Enquanto a "Balada n.º 1" é frequentemente caracterizada como eloquente e trágica, a "Balada n.º 4" é misteriosa, emocionalmente ambígua. "Essa balada é bastante poética, aproximando-se do imaginário da literatura romântica", indica Cohen.
Em seguida, Cohen e orquestra se unem na interpretação do "Concerto para Piano e Orquestra KV 453", de Mozart. "Esse concerto é, talvez, o mais bonito de toda a literatura pianística", afirma. Roberto Tibiriçá também ressalta a importância da obra. "A singeleza e a ternura de Mozart, evidentes nessa peça, cativam qualquer pessoa", diz. Uma das obras mais populares de todo o repertório erudito, o "Concerto n.º 1 para Piano e Orquestra", de Tchaikovski, encerra a apresentação.
"É interessante ouvir os murmúrios do público diante dos primeiros acordes e ao reconhecer a peça, já utilizada de diversas formas pela mídia", brinca o maestro que, só no último mês, regeu duas vezes o concerto. Emoção - Conhecido pela eloquência e paixão com que interpreta um repertório bastante variado, Cohen está no auge de sua carreira. Além de concertista convidado em algumas das mais importantes casas da Europa e dos Estados Unidos, tem desenvolvido trabalhos acadêmicos no Royal Northern College of Music, em Manchester. É, também, jurado de concursos internacionais de grande prestígio, como o Busoni, na Itália, o Lizt, na Holanda, e o Chopin, na Polônia.
Considerado pelo saudoso violinista Yeuhuid Menuhin - que, certa vez, o caracterizou como um dos maiores pianistas que já teve a oportunidade de ouvir - um sucessor à altura de Horowitz, Cohen acredita que a arte e a emoção andam sempre juntas. "O sentimento humano é a razão pela qual a arte existe", salienta. E como nunca somos os mesmos estar à frente de um piano é sempre uma experiência diferente. "Você estuda a técnica, a concepção estrutural da música, mas, no palco, é a intuição que deve guiar, de modo natural e espontâneo", diz. Público - Para Cohen, a relação do público com o artista constitui um grande paradoxo. "Quanto mais você se dissocia da platéia no momento de uma apresentação, mais você dá a ela e mais próximo você fica". Isso porque, segundo ele, o músico deve atuar como um filtro, responsável por traduzir a música por meio dos próprios sentimentos e emoções.
"Em música, você não pode ser politicamente correto: ao contrário do político, que diz o que o público quer ouvir, o artista tem de ser, antes de tudo, honesto com ele mesmo, uma vez que o público está interessado em captar a personalidade do intérprete", informa.
De contrato recém-assinado com a gravadora sueca BIS por três anos, Cohen tem planos de ampliar sua discografia e estuda repertórios para futuras gravações. O primeiro disco, que deve ser gravado em julho, será dedicado exclusivamente a autores brasileiros. "Minha intenção é reunir o maior número de compositores possível, o que deve resultar um disco curioso", acrescenta. (J.L.S.) Serviço - Arnaldo Cohen e Orquestra Sinfônica Municipal. Regência de Roberto Tibiriçá. Sábado, às 21 horas; domingo, às 18 horas. De R$ 20,00 a R$ 70,00. Teatro Alfa. Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, tel. 5693-4000





