Para quem andava meio desligado, o roqueiro veterano Arnaldo Baptista, 53 anos, ex-líder da cultuada banda brasileira Mutantes, até que reviveu neste final de semana do Abril pro Rock seus bons dias de anos 70. O festival independente de Rock foi realizado em Recife.
Arnaldo se ligou novamente na música (ou foi ligado, depende) pelo show com Sean Lennon no Free Jazz de 2000 e por artigos retroelogiosos sobre sua ex-banda na imprensa dos EUA, vide o ‘‘The New York Times’’ da semana retrasada, que contemplou o novo ‘‘boom’’ dos Mutantes nas ‘‘college radios’’ americanas.
Anteontem o fundador dos ‘‘Beatles brasileiro’’ (segundo o ‘‘NYT’’) ganhou emocionante celebração viva ao acompanhar Lobão sentado aos teclados, diante das cerca de 5 mil pessoas que viam o Abril pro Rock encerrar sua nona edição.
Mesmo prejudicado pelos anos roqueiros, Arnaldo não cabia em si de contentamento ao seguir o músico carioca em ‘‘Sr. Empresário’’ e ‘‘Sexy Sua’’ ou tocando e cantando criações suas, como ‘‘Ando Meio Desligado’’ e ‘‘Sanguinho Novo’’.
Do banquinho do Abril pro Rock, Arnaldo vai para o banquinho de seu sítio, em Juiz de Fora (MG), terminar o disco que está fazendo sozinho. ‘‘Ouso dizer que sou um ‘one man band’ (banda de um homem só)’’, disse o ex-Mutante nos corredores do festival, por onde circulou durante todos os dias do evento, sendo abordado sem parar para conversas com admiradores e jornalistas.
‘‘Compus todas as letras e toco todos os instrumentos. O disco terá o nome de ‘‘Let It Bed’, algo assim mesmo, tipo ‘‘deixa estar na cama’, próximo de ‘Let It Be’, dos Beatles, e o ‘Let It Bleed’, dos Rolling Stones’’, definiu Arnaldo.

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