Arnaldo Antunes lança 'Palavra Desordem'
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de abril de 2002
Jotabê Medeiros Agência Estado 
Será lançado hoje, no Blen Blen, em São Paulo, o livro Palavra Desordem, do músico, compositor, poeta, ensaísta e videasta Arnaldo Antunes, ex-integrante da banda Titãs.
São 208 páginas desenhadas como se fossem cartazes, que podem ser lidos em várias direções, sem qualquer ordem. Não tem prefácio, não tem introdução, é completamente branco. Trata-se de uma coleção de boutades, mais do que poemas. Ou epigramas, ditados, aforismos, máximas, axiomas, provérbios ou refrões, como define a editora. Pele viva à flor da carne, Se não balançar não tem graça, O avesso do espelho é você, Fecha os olhos e manda ver, Erre bem, Limite-meta.
Não se trata de um dos trabalhos mais radicais de Arnaldo, até pelo contrário. Numa primeira leitura, remete imediatamente ao trabalho da norte-americana Jenny Holzer e sua série denominada Truísmos, frases que cria com o intuito declarado de questionar os limites estritos da exibição de arte em museus.
Jenny Holzer usa de cartazes de rua e letreiros eletrônicos até pinturas na lataria dos ônibus, adesivos autocolantes ou sites. Há desde frases de cunho político a outras nem tanto. A propriedade privada produziu crime, diz um deles. O problema é que o trabalho de Jenny acaba tendo efeito, senão publicitário, meramente decorativo.
Arnaldo incorre no mesmo erro. Como exercício formal, o livro não desafia e não propõe nada novo. O tipo de letra, vazado, em seus diferentes tamanhos, dá coesão gráfica ao volume, diz o texto para a imprensa. Parece apenas mero exercício de letras de ponta-cabeça.
Admirador e discípulo dos concretistas (Haroldo e Augusto de Campos), o músico já realizou experiências mais interessantes, como 2 ou mais Corpos no Mesmo Espaço. Ainda assim, o novo livro mantém sua coerência, constituindo-se num novo esforço de levar certa estranheza para as massas.
Serviço: Palavra Desordem. De Arnaldo Antunes. Editora Iluminuras. 208 páginas,R$ 32,00.


