Será lançado hoje, no Blen Blen, em São Paulo, o livro ‘‘Palavra Desordem’’, do músico, compositor, poeta, ensaísta e videasta Arnaldo Antunes, ex-integrante da banda Titãs.
São 208 páginas desenhadas ‘‘como se fossem cartazes, que podem ser lidos em várias direções’’, sem qualquer ordem. Não tem prefácio, não tem introdução, é completamente branco. Trata-se de uma coleção de boutades, mais do que poemas. Ou ‘‘epigramas, ditados, aforismos, máximas, axiomas, provérbios ou refrões’’, como define a editora. ‘‘Pele viva à flor da carne’’, ‘‘Se não balançar não tem graça’’, ‘‘O avesso do espelho é voc꒒, ‘‘Fecha os olhos e manda ver’’, ‘‘Erre bem’’, ‘‘Limite-meta’’.
Não se trata de um dos trabalhos mais radicais de Arnaldo, até pelo contrário. Numa primeira leitura, remete imediatamente ao trabalho da norte-americana Jenny Holzer e sua série denominada ‘‘Truísmos’’, frases que cria com o intuito declarado de questionar os limites estritos da exibição de arte em museus.
Jenny Holzer usa de cartazes de rua e letreiros eletrônicos até pinturas na lataria dos ônibus, adesivos autocolantes ou sites. Há desde frases de cunho político a outras nem tanto. ‘‘A propriedade privada produziu crime’’, diz um deles. O problema é que o trabalho de Jenny acaba tendo efeito, senão publicitário, meramente decorativo.
Arnaldo incorre no mesmo erro. Como exercício formal, o livro não desafia e não propõe nada novo. ‘‘O tipo de letra, vazado, em seus diferentes tamanhos, dá coesão gráfica ao volume’’, diz o texto para a imprensa. Parece apenas mero exercício de letras de ponta-cabeça.
Admirador e discípulo dos concretistas (Haroldo e Augusto de Campos), o músico já realizou experiências mais interessantes, como ‘‘2 ou mais Corpos no Mesmo Espaço’’. Ainda assim, o novo livro mantém sua coerência, constituindo-se num novo esforço de levar certa estranheza para as massas.
Serviço: Palavra Desordem. De Arnaldo Antunes. Editora Iluminuras. 208 páginas,R$ 32,00.

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