Nelson Sato
Shows de Arnaldo Antunes parecem, sempre, ‘‘o primeiro de sua carreira-solo’’. Apesar de já ter lançado quatro discos, todo o seu repertório ainda soa como uma coleção de canções inéditas, sem nenhum hit com apelo popular que garanta o ‘‘coro’’ do grande público.
É o que poderá ser comprovado hoje à noite durante a apresentação do cantor e compositor paulistano no Cinema Café. Arnaldo, 38 anos, vai privilegiar as músicas de seu último álbum Um Som, mas promete abrir espaço no set para uma ou outra composição dos CDs anteriores - Nome, Ninguém e Silêncio.
O artista continua fiel a seus princípios estéticos, deixando a crítica meio desorientada sem saber que etiqueta pregar em seu trabalho, caracterizado tanto pelo diálogo entre gêneros musicais quanto pelo trânsito entre áreas artísticas distintas. Aos que apontam uma suposta conversão à MPB com seu último disco, ele responde que desde a época em que integrava os Titãs já apreciava outros ritmos além do rock.
‘‘Na verdade, eu refuto essas classificações’’ - diz ele, por telefone. ‘‘Prefiro misturar os gêneros e atuar na intersecção deles. Todos os meus discos trazem essa marca, com as guitarras e a programação eletrônica convivendo com o samba.’’ Mas apesar da explicação, Arnaldo confessa que os arranjos acústicos presentes em Um Som exigiram mudanças no formato do espetáculo.
‘‘Antes, a banda contava com guitarra, baixo, bateria e teclados’’ - prossegue ele. ‘‘Para a atual turnê, incorporei um violão e uma seção de percussão acrescentando mais dois músicos à formação. A idéia é tentar ser o mais fiel possível nessa adaptação da sonoridade do disco para o palco.’’ Um Som foi produzido por Chico Neves, que trabalhou com Lenine no elogiado álbum O Dia em que Faremos Contato.
Foi depois de ouvir o resultado dessa parceria que Arnaldo decidiu recrutar o produtor, um mestre de estúdio capaz de extrair texturas e timbres inesperados a partir da combinação de instrumentos acústicos e eletrônicos. Arnaldo rejeita a tese dos que saúdam o uso da tecnologia e a manipulação da eletrônica como sinônimos de modernidade musical.
Segundo ele, lançar mão de samplers ou sequenciadores não define uma linguagem. ‘‘O que define é a forma como o artista vai utilizar esses recursos’’ - diz. Um Som foi lançado no final do ano passado. Mas curiosamente permanece nas prateleiras como uma ‘‘novidade’’, já que não teve nenhuma faixa executada à exaustão.
É seu melhor disco até aqui. Além da sacolejante ‘‘Música para Ouvir’’, talvez a mais conhecida do CD, traz pelo menos duas ótimas canções para serem apreciadas mais atentamente hoje à noite. Uma é ‘‘As Árvores’’, parceria sua com Jorge Benjor. A outra é ‘‘Socorro’’, feita a quatro mãos com a poeta curitibana Alice Ruiz.
O show de Arnaldo Antunes, no Cinema Café, em Londrina, começa às 23 horas. Os ingressos antecipados custam R$ 10,00 e estão à venda no Pátio San Miguel e na loja Triton. Na hora do show, o preço sobre para R$ 15,00.

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