Armazém mostra Sob o Sol... no festival
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de março de 1998
Antônio Mariano Júnior 
Cena de
Sob o Sol...:
espetáculo
baseado em
trechos do
épico
indiano
Mahabarata
será
apresentado
hoje e
amanhãJam e Theo. Irmãos. O primeiro, um aventureiro irracional. O outro, um sujeito que oscila entre o desejo e a contemplação. Um jogo de dados, entre os dois, é o que vai selar o destino de toda a família que vive num sertão qualquer onde bravura e secura são muito mais que rimas: são destino. Uma saga que traz à tona o amor e o ódio, o nascimento e a morte, a trapaça, tudo muito próximo dos contos populares brasileiros. Eis Sob o Sol em Meu Leito Após a Água, que o Armazém Companhia de Teatro apresenta hoje e amanhã, na reta final do 7º Festival Nacional de Teatro de Curitiba.
É um belo espetáculo. E vários são os motivos. O principal: o diretor Paulo de Moraes, que também assina o texto juntamente com o poeta londrinense Maurício Arruda Mendonça, em nenhum momento deixa o espetáculo cair na monotonia, naquela lenga-lenga que normalmente permeia as encenações de dramas, sagas e afins.
O texto - baseado em trechos do épico indiano Mahabharata - é valorizado pelas performances dos atores, principalmente de Patrícia Selonk, Narlo Rodrigues e Simone Mazzer. Se há drama, há também humor, um humor cínico, seco. Há sacadas geniais. Uma delas acontece quando, em pleno jogo de dados, os atores conseguem imprimir - literalmente - sonoridade à ação.
Sob o Sol... estreou em maio do ano passado, em Londrina. Não mais que 600 pessoas se dispuseram a ir assisti-lo. Vai entender Londrina... Daí, a trupe - que está comemorando 11 anos de união teatral - levou o espetáculo aos grande centros. Aplausos, críticas favoráveis, reconhecimento e, principalmente, público. Pú-bli-co. Prestígio merecido. Tanto é que Patrícia Selonk recebeu indicação ao prêmio Mambembe 97 de melhor atriz e Paulo de Moraes, pela direção nos prêmios Shell e Mambembe.
Até agora, Sob o Sol... completou 72 apresentações. Vai reestrear, nos próximos dias, no Rio de Janeiro. O Rio é a cidade que o Armazém escolheu para melhor desenvolver seu trabalho - seus integrantes se mudaram para lá de mala e cuia. Ou seja, Londrina perdeu, mais uma vez, grandes artistas. E o grande (?!) público londrinense mais uma vez, por deselegância, não disse: Vão, não, vocês são importantes para nós!!. Fazer o quê...


