Armazém Companhia de Teatro é atração do Filo
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de junho de 2008
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Quando não se tem nada, a miséria humana é o melhor que temos para compartilhar, vender, trocar, roubar, matar e correr o risco de morrer empurrado por ela.
O importante é sobreviver a essa luta desigual que leva os personagens ao limite em Mãe Coragem e Seus Filhos, espetáculo do Armazém Companhia de Teatro, estréia de hoje na programação do 40º Festival Internacional de Londrina (Filo).
Um ponto em que a dor tem a poesia da direção de Paulo de Moraes, diretor que iniciou carreira com a Companhia em Londrina, mas que hoje está radicado no Rio de Janeiro.
Moraes, que conquistou o Prêmio Shell 2007 pela direção de Toda Nudez Será Castigada, comemora 20 anos de Armazém, encontrando com o novo espetáculo os 30 anos de carreira da atriz Louise Cardoso, que propôs ao diretor a empreitada de montar o texto de Bertolt Brecht (1898-1956). Louise não estará no elenco, sendo substituída por Patrícia Selonk.
A peça, que este ano foi apresentada no Festival de Curitiba, traz ao Filo um texto escrito durante a Segunda Guerra Mundial. Brecht estava exilado na Escandinávia, ambientando o clássico na Guerra dos Trinta Anos (1618-1648).
É nesse cenário desolador que uma mãe, Anna Fierling, e três filhos viajam numa carroça. Para sobreviver, a mulher vende mercadorias para os soldados e espoliados do conflito.
Quando não se tem nada, a guerra pode parecer uma benção, como acredita uma prostituta, personagem de Simone Mazzer.
Para falar sobre este espetáculo e outras criações da Companhia, o elenco participará de um bate-papo com o público londrinense amanhã, às 14h30, na Casa de Cultura, lançando também o livro Espirais, que comemora os 20 anos do grupo.
Na montagem de Moraes, Mãe Coragem trocou a carroça por uma fuselagem de avião que, apesar disso, continua sendo uma carroça, carregando todas as as nossas misérias - ainda que acreditemos que cada uma delas seja uma benção.


