Armações
da TV sob
investigação
Ricardo Bairos
Planet Pop/AE
A televisão nos Estados Unidos está em processo de investigação. Os programas de auditório de nomes como Jerry Springer, Ricki Lake e Sally Jessy Raphael, aqueles em que gente comum vai para contar suas histórias mais absurdas, estão sob suspeita de serem armações. Os casos são falsos, as brigas são armadas e muitas vezes os convidados são até mesmo atores profissionais. Os apresentadores e produtores negam tudo, mas cada vez mais personagens da mutreta têm saído dos bastidores para contar a verdade.
A maioria dos programas é exibida no horário da tarde na TV norte-americana, diariamente, nos canais mais variados. Eles são responsáveis pelos maiores índices de audiência. Nos últimos tempos, o campeão é Jerry Springer, que tomou do talk-show de Oprah Winfrey o posto de campeão do horário vespertino. Os programas têm temas e os ‘‘convidados’’ vêm expor suas histórias. Os títulos são do tipo ‘‘homens que traíram e contam para todo mundo’’, ‘‘ela quer a minha mulher’’, ‘‘os piores vizinhos da América’’, ‘‘chefes maus’’ e muito mais. Estes são os mais simples, mas às vezes há histórias como a da dominatrix e travesti, que na verdade era hermafrodita. No fim do show, por sinal, ela saiu no tapa com uma drag queen.
No caso de Jerry Springer, o componente mais importante do programa são as brigas. As discussões sempre terminam em pancadaria na frente das câmeras, com seguranças que tentam controlar a situação. Até os socos e puxões de cabelo podem ser encenações. De qualquer maneira, fazem tanto sucesso que o apresentador lançou uma fita de vídeo com os momentos mais radicais do programa, as piores confusões e os xingamentos mais cabeludos, que não foram ao ar. É sucesso de vendas absoluto. Por sinal, na trasmissão pela TV os palavrões são encobertos por beeps, em todos os programas.
Na semana passada, o jornal ‘‘New York Post’’ publicou a história do ator Tony West, que já apareceu em cinco programas, sempre em situações diferentes, nos últimos dois anos. Ele diz que foi convidado pelos produtores dos programas para participar das gravações. A idéia é que ele criasse a história maluca e chamasse amigos para fazer os outros papéis. A produção dá cachês de US$ 150 a US$ 500, mais as passagens aéreas e hospedagem. Ele disse que nunca escondeu de ninguém que trabalhava como ator. Nos programas, ele fez, entre outros, o papel de um homem que teria sido pego com outra na cama, pela mulher, nada menos do que 13 vezes.
No rastro do aumento da violência e da disputa pelas histórias mais absurdas nos ‘‘shows’’, outro programa tem conseguido seus melhores índices de audiência nos últimos tempos. É ‘‘Talk Soup’’, exibido pelo canal por assinatura ‘‘E!’’. No espaço do apresentador e comediante John Henson são mostrados os melhores (ou piores) momentos dos programas de auditório, tudo com muito humor, claro. Ele consegue as fitas de vários shows, faz sua seleção e, em contrapartida, dá propaganda de graça dos programas, como o horário em que são exibidos e os temas da semana.

mockup