Sons que a memória urbana ainda não registraram vêm de flautas duplas indianas feitas de cabaças, chocalhos de sementes da Amazonia, paus-de-chuva chilenos, kalimbas africanas e tambores norte-americano. Todos esses instrumentos são usados por tribos indígenas e reproduzem sons da natureza.
Vivenciar essas melodias e participar num show diferente é a proposta do músico argentino, radicado no Rio Grande do Sul, Daniel Namkhay. O concerto ‘‘Tribal’’ acontece hoje, às 21 horas, no Anfiteatro do Centro de Eventos do Shopping Batel (piso C). E nos dias 13 a 15, Daniel ministra um workshop chamado ‘‘O Poder Curativo do Som’’.
‘‘O público está acostumado a assistir passivamente concertos. Ninguém pode se mexer, aplausos só em determinados momentos. Há músicos que param de tocar se há barulho na platéia. Esse é o sistema europeu. Se exige algo que não é natural das pessoas’’, analisa o músico.
Para os povos nativos, a música é uma poderosa ferramenta para se comunicar com o mundo invisível. Segundo o Daniel, a música é ainda hoje, para os indígenas, uma medicina que une os corações na dança, no ritual e na celebração.
No ‘‘Tribal’’ o público não é passivo, é mais um instrumento participando com cantos, ritmos, chocalhos, paus-de-chuva e tambores recriando um círculo de paz. ‘‘Com os sons que aprendemos a ouvir nas comunidades indígenas, é possível desligar a mente e promover uma sensação de tranquilidade, de relaxamento’’, afirma alertando que hoje o homem, a música e a natureza estão poluídos e intoxicados.
Terapeuta e músico argentino, Daniel viaja há 15 anos pelo mundo - Bolívia, Indonésia, Tailândia, Malásia, Estados Unidos e Brasil - coletando instrumentos nativos, ouvindo histórias e cantos, pesquisando o poder curativo dos sons.
Como síntese dessas viagens, o show ‘‘Tribal’’ é uma forma de criar um espaço de paz e celebração. ‘‘A música sempre foi um dos melhores meios para falar das coisas que não podem ser faladas.’’
Os CDs e fitas gravadas por Daniel são usadas por inúmeros terapeutas holísticos, em hospitais, clínicas, creches e escolas. Ele formou-se com mestres Zen Budistas do Japão, com taoístas e com xamãs nativos. Toca mais de 140 instrumentos, principalmente flautas indígenas do mundo todo, kalimbas, sinos e tambores.

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