Areia: cidade surgiu como apoio no intercâmbio comercial entre litoral e sertão e, desde cedo, tornou-se um celeiro de cultura.Vistos do alto, os casarões em estilo colonial português de fachadas com azulejos azuis e brancos lembram as cidades históricas de Minas Gerais. O clima frio e úmido, que destoa do infernal sertão paraibano, ajuda. Mas Areia ‘‘a Ouro Preto nordestina’’ tem muito mais a oferecer: preservou intactos, e em pleno funcionamento, mais de 20 engenhos de açúcar, aguardente e rapadura do século 17.
Os engenhos são muitos: Santa Irene, Várzea Nova, Quati... Mas só alguns permitem a visitação. O Vaca Brava, por exemplo, está começando a receber turistas. Lá, no meio da palha e do bagaço da cana, o turista pode ver como trabalham os funcionários na produção de 2 mil rapaduras por dia. Vale ainda passar no Museu da Rapadura, onde foi reconstruído um ambiente colonial, com engenho, casa grande e senzala. No engenho, estão preservados a moenda, as cubas para fermentação da cachaça e até o alambique. O visitante conhece também a produção da rapadura: os tachos que ferviam o caldo e as fôrmas. De quebra, é possível degustar os produtos direto do engenho.
Por sua localização, Areia surgiu como apoio no intercâmbio comercial entre litoral e sertão e, desde cedo, tornou-se um celeiro de cultura. Lá foi construído o primeiro teatro da Paraíba, em 1859. Areia também orgulha-se de ser a primeira cidade do Estado a libertar os escravos, dez dias antes da Lei Áurea.
A cidade tem histórias trágicas: foi palco de punições exemplares e espetaculares. Em uma casa ficava a forca para punir assassinos e ladrões. Hoje, o rastro de sangue permanece vivo, com as histórias de assombrações contadas por lá.

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