ARCO-ÍRIS DE EMOÇÕES
Jackeline Seglin
A voz é a expressão de quem nós somos e de como nos sentimos. Partindo desse princípio, a terapeuta, compositora e cantora Sonia Prazeres desenvolveu um método de terapia através da voz e do movimento, baseado em técnicas da School for Voice & Movement Therapy (Inglaterra) e do Roy Hart Theatre (França).
Sonia Prazeres está em Londrina como professora convidada do 17º Festival de Música de Londrina e, na semana passada, ministrou uma oficina para 150 alunos. O grupo vai fazer hoje, às 18h30, no Teatro Zaqueu de Melo, uma demonstração dos resultados alcançados. O evento é aberto ao público.
A terapeuta diz que trabalha no curso as cores emocionais da voz, ou seja, resgata através da voz os sentimentos de cada indivíduo. Ao nascer, somos dotados de uma voz totalmente livre e irrestrita. Mas a partir do momento em que começamos a falar, suprimimos de nossa vida expressiva uma vasta gama de sons afetivos que falam de nossas alegrias, tristezas, medos, raivas e frustrações, analisa.
Na aplicação da técnica, a professora realiza uma série de exercícios de aquecimento, respiração, massagens, jogos corporais e teatrais, explorando a relação corpo-voz-movimento.
Da oficina do FML estão participando 150 pessoas (em quatro turmas), entre alunos de música, atores, professores de canto e técnica vocal, cantores, professores de regência, educadores e músicos com idade variada de 15 a 65 anos. Essa turma apresenta uma amplitude muito grande, que proporciona um trabalho com um espectro expressivo do ser humano, envolvendo todas as pequenas expressões da emoção.
Para explicar melhor seu trabalho, Sonia Prazeres diz que a fonação compreende dois estágios: o primeiro, que é a emissão sonora (ligado ao sistema que comanda a emoção), e o segundo, a fala, que é uma evolução da fonação. Neste último, a fala é comandada pelo córtex cerebral. É o estágio de controle. Aí está a grande diferença. Eu atuo no primeiro estágio; é o que torna o trabalho tão eficaz, avalia.
A primeira etapa, segundo Sonia, envolve a emoção, o instinto, a pulsão, os desejos mais primitivos, como a necessidade de ser amado, os ressentimentos, os medos, as tristezas e as dores mais profundas. Tudo isso é explorado através dos exercícios, confirma.
Sonia Prazeres observa que este método possibilita o contato com o ser interior, o que resulta numa confiança maior do indivíduo. Por isso, o curso é indicado também a qualquer pessoa com dificuldades de expressão (inibição, gagueira) e problemas emocionais ou respiratórios.
Graduada na School for Voice & Movement Therapy, em Londres, Sonia Prazeres conta que adicionou aos seus estudos a experiência adquirida no Roy Hart Theatre. Eles desenvolvem um trabalho revolucionário e experimental de voz, voltado para a performance teatral. No meu caso, o trabalho é voltado para aspectos terapêuticos da voz, esclarece.
Além da experiência nas escolas européias, a formação da professora é bastante ampla. Há 20 anos começou a trabalhar com terapia e, ultimamente, tem experimentado o poder da integração da música e do corpo. De seu currículo constam desde técnicas de massagens (Shiatsu, chinesa, biodinâmica, reichiana) até cursos nas áreas de voz, teatro, entre outras.
Sonia Prazeres - que divide as atividades profissionais entre o Brasil e a Inglaterra - está escrevendo um livro sobre seu método de trabalho. Em Londres, ela está fazendo uma pesquisa de música étnica e religião comparada na SOAS - School of Oriental and African Studies, da Universidade de Londres. Tenho um projeto que é a gravação de um CD com todas as etnias pesquisadas e usadas no trabalho, explorando os diferentes timbres e ressonâncias do universo da voz, antecipa.
Oficina da Voz - demonstração dos resultados alcançados no curso ministrado por Sonia Prazeres durante o Festival de Música de Londrina. Hoje, às 18h30, no Teatro Zaqueu de Melo (Avenida Rio de Janeiro, 413).





