Arapongas quer restaurar murais de prédio público
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sexta-feira, 18 de abril de 1997
Ranulfo Pedreiro 
Euclildes Macedo/DivulgaçãoOs artistas plásticos Círio Simon e Henrique Aragão examinam os painéisDiscípulo do muralista italiano Aldo Locatelli, Círio Simon não teve muitas dificuldades em retratar motivos religiosos que evocam o ensino em algumas paredes do então Colégio La Salle, em Arapongas. Ele aproveitou as férias de 1965 e 1966 e pintou quatro murais no edifício onde hoje funciona o Centro Administrativo da prefeitura da cidade.
Com o passar dos anos, os murais foram vítimas de infiltrações e vandalismo. A situação das obras preocupou Simon, que esteve em Arapongas, no dia 9, para estudar as possibilidades de restauração, com apoio da prefeitura. Simon é formado em Belas Artes pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e está se preparando para concluir o doutorado em História da Arte em Sorbonne, na França.
A viagem impede que o autor se ocupe com a recuperação das obras, que poderão ser restauradas pelo artista plástico Henrique Aragão. Ele avaliou a situação dos murais ao lado de Simon e se comprometeu a elaborar a lista de materiais e os gastos necessários para a recomposição e conservação. A lista seria entregue hoje para a apreciação da Prefeitura, e se o projeto for aprovado, os trabalhos de restauração devem consumir ente seis e oito meses.
O trabalho As dificuldades para recuperação dos painéis não são poucas. As paredes onde as pinturas foram realizadas são de origem alcalina, com cal e areia misturados. A tinta a óleo utilizada também é ácida, e esses materiais causaram uma reação química que resultaram na saponificação e craquelação dos murais, explica Henrique Aragão.
O artista plástico comenta que a estrutura das paredes também não está em boas condições: No local onde foi feito o mural principal, a baldrona - uma viga colocada embaixo da parede que serve de sustentação - cedeu, o painel rachou no meio e o reboco está fofo.
As etapas do processo de restauração exigem trabalho minucioso. Henrique Aragão assegura que o ideal seria, inicialmente, isolar os dois lados das paredes onde se encontram os originais, após uma delicada limpeza. Esta estratégia permite que os originais fiquem intactos. Os isolamentos exigirão um teste antecipado, para verificar se a estrutura do mural permite a aplicação.
Proteção Além do isolamento inicial, o pintor passaria outra camada de isolante, onde seria aplicada a tinta da restauração. Os trabalhos seriam concluídos com uma nova cama de isolante por cima da restauração. Esse procedimento permite que, se algum dia, alguém quiser verificar os originais, basta retirar a restauração que eles estarão lá, intactos, afirma Aragão.
Mas para recuperar os traços e detalhes dos desenhos o trabalho é ainda mais complicado: Terei que utilizar técnicas como raio X e slides, e passar as imagens para o computador para recuperar os desenhos.
Apesar de trabalhosa, o artista residente em Ibiporã considera a iniciativa da prefeitura de Arapongas louvável. Como não temos história, tradição, memória e nem cultura artística no Brasil, considero altamente positivo o fato da prefeitura se sensibilizar com a restauração de um pouco da história e da cultura da cidade, comenta Aragão.


