Com um bom e pequeno elenco, Walther Negrão escreveu uma história que se esperava ser contada com leveza. Mas, logo nos primeiros meses, ''Araguaia'' fraquejou. Na primeira fase, o suspense cercado de misticismo iniciado com a morte de Fernando, personagem de Edson Celulari, não comoveu e muito menos convenceu. E a novela não arrecadou bons números no Ibope. Mas a belíssima fotografia do Rio Araguaia ajudou muito. Nomes de veteranos da telematurgia, como Lima Duarte, Laura Cardoso e Júlia Lemmertz deram créditos para a produção.
Quem acreditava que o poderoso fazendeiro Max, de Lima Duarte, se resumiria em um típico coronel de cidades interioranas, se depara com um vilão articulado e manipulador. Suas grosserias são apaziguadas por doçura e serenidade quando contracena com Júlia Lemmertz.
Os exageros ficam mesmo por conta das magias do núcleo indígena. As aparições fantasmas, maldições e feitiços da tribo karuê não recebem o tom de seriedade que deveriam. Estela, de Cléo Pires, responsável por grande parte dessas cenas, vive em confronto com Manuela, de Milena Toscano. Ambas disputam o amor do domador de cavalos Solano, de Murilo Rosa. Ora se odeiam, ora conseguem conviver com cordialidade. Algo mais que contraditório.
Em sua reta final, o folhetim tem engatado sequências curiosas, típicas das novelas que tentam até forçar a barra para prender o público, como o desfecho da provável amaldiçoada gravidez de Estela. Assim como o rumo da maldição que acompanha os homens da família do mocinho Solano. Até agora tem sido uma incógnita saber se o amor proibido da indígena será o fator decisivo para o fim de séculos de uma morte predestinada do protagonista.
''Araguaia'' - Globo, de segunda a sábado, às 18 h.

mockup