O nome do artista plástico Henrique Aragão está associado a obras de grandes dimensões. Hoje, porém, ele inaugura uma exposição em Londrina que pouco lembra o monumentalismo das esculturas que lhe deram prestígio ao longo dos anos.
A exposição recebe os visitantes no Espaço Cultural Ceddo, reunindo cinco telas da série ''Mares'', além de uma escultura intitulada ''Alegoria à Sabedoria''. ''Foi o que o espaço permitiu. É uma sala pequena, como tantas outras de Londrina'', diz.
A série ''Mares'' traz pinturas em acrílica sobre tela. O tema inspirou a produção de 84 quadros entre 1998 e 2000. ''Hoje restam 10. Vendi muitos durante exposições realizadas em São Paulo e Curitiba'', conta. Nos últimos dois anos, ele se dedicou a uma outra série, que batizou de ''Amazônia Zero'' em alusão ao desmatamento da região.
Tem trabalhado também na oficina de sua casa-ateliê, em Ibiporã, restaurando peças de sua autoria instaladas na igreja matriz dessa cidade. ''Algumas esculturas estão bem danificadas. O problema é a falta de material para fazer os reparos. Há meses estou atrás de uma dobradiça que não encontro em lugar nenhum. A gente fica amarrado'', lamenta.
Para tirar o artista do sério, basta provocá-lo com perguntas sobre espaços dedicados a arte. ''Londrina está muito pobre de espaços. Não há nenhum lugar verdadeiramente adequado para exposições'', afirma. Segundo ele, o Museu de Arte fez apenas algumas adaptações no prédio onde antes funcionava a Estação Rodoviária, e a Casa de Cultura teria feito o mesmo no prédio que abrigou originalmente uma concessionária de veículos.
''Para você ver como estão as coisas, a Letícia Faria, que é uma artista de renome, fez sua última exposição num shopping'', salienta. ''E é assim também que não tenho como mostrar boa parte de meus trabalhos, que necessita de espaço amplo para ser apreciado. Esculturas são tridimensionais. As pessoas precisam dar a volta em torno delas para poder fazer uma leitura completa. Não é simplesmente amontoar as obras numa sala'', queixa-se.
Paraibano de Campina Grande (PB), Aragão está com 77 anos. Mora em Ibiporã desde 1965. É responsável por esculturas como o ''Monumento ao Viajante'', fixado em frente ao terminal rodoviário de Londrina; o ''Monumento ao Desbravador'', instalado na Praça de Sete de Setembro, em Maringá; e ''Monumento a São Francisco de Assis'', à vista dos transeuntes numa via pública de Umuarama.
É conhecido também pelos trabalhos em altares e sacrários espalhados por inúmeras igrejas do País. Sua casa-ateliê, considerada a primeira galeria de arte não comercial do Paraná, foi construída no antigo parque de máquinas da prefeitura municipal. Tanto dentro como fora da residência os ambientes estão organizadamente ocupados por esculturas de lata gigantes.
Uma das peças é um ''Cristo Nu'', de quatro metros de altura, que foi retirado da igreja matriz da cidade de Colorado por ser considerado imoral pelos religiosos.

SERVIÇO
- Abertura de exposição de Henrique Aragão
Quando - Hoje, às 7h30
Onde - Espaço Cultural Ceddo (R. Pernambuco, 725), em Londrina
Visitação - Até o dia 29, de segunda a sexta, das 7h30 às 19h; e aos sábados, às das 7h30 às 13h

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