O sobrenome é difícil e capaz de fazer qualquer um enrolar a língua ao tentar pronunciá-lo. Mas isso não foi obstáculo para Aracy Balabanian se firmar na profissão. Às vésperas de completar 61 anos de idade e 40 de carreira, a atriz contabiliza vários trabalhos na tevê - entre eles o inesquecível infantil ''Vila Sésamo''. Só em novelas, são mais de 30. Um gênero, aliás, que ela retoma ao interpretar a Hermínia de ''Sabor da Paixão'', depois de seis anos fora dos folhetins por conta do ''Sai de Baixo''. ''Isso é um incentivo para todos nós, atores e brasileiros. Exercer uma profissão complicada como essa durante 40 anos é uma grande vitória'', valoriza Aracy.
Na novela das seis, no entanto, Hermínia lembra um pouco a Cassandra do extinto humorístico. A personagem se orgulha e se assanha pelo fato de ter dois homens apaixonados por ela: Quintino e Silvano, papéis de Ednei Giovenazzi e Sérgio Mamberti. ''Pensei que já tivesse pendurado as chuteiras em relação a isso'', diverte-se. Além disso, a personagem faz questão de arrasar e humilhar o errante Jean, interpretado por Édson Celulari. Mas mesmo com as comparações e por ter ficado rotulada pela Cassandra, Aracy garante que sente saudades do ''Sai de Baixo''. ''Sinto falta do clima de família do programa. Mas já estava na hora de voltar às novelas'', diz.

Você atuou no ''Sai de Baixo'' por seis anos e agora está voltando às novelas. Já se reacostumou ao ritmo frenético dos folhetins?
Tenho sofrido mesmo com o trânsito do Rio de Janeiro, que piorou muito. Até porque fomos pioneiros do Projac. Na novela ''Que Rei Sou Eu?'', a cidade cenográfica foi montada no Projac. Achava maravilhoso ir para lá. Era um passeio maravilhoso. Agora é um sacrifício chegar e sair. Mas o ''Sai de Baixo'' também não era brincadeira. Eram dois dias inteiros de ensaio e quatro apresentações.

Você acabou ficando marcada com o humorístico. Tem vontade de voltar a fazer esse tipo de trabalho no futuro?
Tenho sim, mas porque tenho saudades do clima que reinava no ''Sai de Baixo''. Brigávamos muito, como toda família, que briga e ama ao mesmo tempo. Passávamos o dia dentro de um teatro trancados. Tinha público em todas as sessões. Às cinco da tarde, todos os convites estavam esgotados e começava a se formar uma fila, que é o sonho de todo ator, ver a casa lotada. Além do mais, era uma oportunidade de juntar teatro com tevê. Mas também estava com saudades de novela e estou adorando ''Sabor da Paixão''.

Na novela a Hermínia mudou radicalmente em relação ao genro morto. Como você definiria a personagem?
Depois que o Miguel - Lima Duarte - morreu, a Hermínia fica sabendo que ele perdeu praticamente tudo para que ela pudesse fazer um tratamento no exterior. Ela tenta mostrar essa gratidão, mesmo com ele morto, e fica venerando a foto dele na parede. O Miguel virou santo. Essa braveza da Hermínia é mais uma infantilidade. Ela tem uma única filha que, na verdade, a mimou muito.

A sua personagem também é disputada por dois pretendentes. Depois de 40 anos de carreira você esperava uma personagem tipo ''Dona Flor''?
É mesmo maravilhosa essa coisa ''Dona Flor''. Já tinha pendurado as chuteiras e agora estou me sentindo muito bem com dois namorados lindos e maravilhosos. Ela quer ser paquerada. A Hermínia gosta dessa paquera e não acho que esteja errada. E acho que ela vai continuar dando corda para os dois, não vai decidir entre um ou outro. Também, decidir para quê? Casamento é muito chato. Aracy Balabanian não casou. Namorei à beça, mas casar não.

Você começou na Globo fazendo ''Vila Sésamo'' em 72 e, para comemorar os 30 anos do programa, alguns episódios vão ser exibidos pelo Canal Futura. Você acha que esse tipo de infantil ainda cabe nos dias de hoje?
Sem dúvida. Para uma geração que tem 35 anos hoje, o ''Vila Sésamo'' significou muito. Tanto que um dia estava no Nordeste divulgando um trabalho e o apresentador do evento falou ao microfone: ''Agora, eu vou chamar para vocês a minha Xuxa''. Fiquei procurando a Xuxa, mas a Xuxa a qual ele se referia era eu. ''Vila Sésamo'' marcou muito a infância dele.

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