Por não poder retratar a figura humana, o islã fez dos arabescos a sua manifestação artística mais autêntica. Ainda que não tenham sido os criadores dos arabescos, foram os árabes que disseminaram mundo afora essa arte célebre e fizeram-na conhecida e admirada em todo o mundo. Formada por intrincadas espirais, como se fossem galhos de vegetais entrelaçados, que vão dando origem a ramos em perfeita simetria, os arabescos são o principal ornamento de palácios islâmicos.
Em Istambul, na Turquia, o harém do palácio Topkapi, é um exemplo admirável da genialidade dos arabescos. Construído pelos sultãos otomanos entre os séculos 15 e 19, Topkapi abriga um riquíssimo museu histórico e constitui-se em um dos mais importantes ícones da arte islâmica em todo o mundo. De proporções monumentais, o palácio de Topkapi tem um aglomerado sinuoso de aposentos, mas nada chama mais atenção do que o harém do sultão.
A imaginação voa com o luxo e esplendor do harém, decorado com arabescos dourados. Os sultãos que habitaram Topkapi mantinham centenas de mulheres, a maioria delas, concubinas. Esposa legítima, dizem os historiadores, era apenas uma. Para resguardar o mulherio o sultão construiu os quartos que hoje arrancam suspiros de admiração dos turistas.
As centenas de mulheres do sultão viviam como em gaiolinhas douradas. Aliás, os arabescos grafados nas paredes em ouro sugere mesmo isso. Alheias ao mundo exterior, elas chegavam a receber as visitas do sultão apenas uma vez por ano. Das visitas nasciam algum tempo depois os herdeiros do sultão, às dúzias, gerando rivalidades e maledicências entre as mulheres. Os únicos homens que tinham contato com elas eram os guardas, do sexo masculino. Para azar deles o sultão os castrava: eram eunucos os homens que perambulavam pelo harém de Topkapi.

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