O humor, definitivamente, tomou conta do Multishow. Com cada vez mais produções caseiras, o canal a cabo vem se tornando referência nos projetos voltados para a comédia. Seguindo nessa onda, "A Grande Farsa" estreia hoje, às 22h30. Depois de quase 20 anos ao lado da trupe de Emílio Surita, primeiro no rádio e até então no "Pânico na Band", Wellington Muniz, o Ceará, abraça um projeto solo. "Tracei um plano de carreira. Optei por sair do ‘Pânico’ e me renovar. Vim para dar minha cara a tapa", garante o humorista.
O formato do programa já é "manjado". Lembra um pouco o "Tudo Pela Audiência", do mesmo canal, apresentado por Tatá Werneck e Fábio Porchat. De cara limpa pela primeira vez na tevê – ele sempre esteve "atrás" de suas imitações de personagens –, Ceará vai interagir com uma plateia de cerca de 250 pessoas através de quadros. "Nunca me viram assim, sendo eu mesmo. Sempre quis ser um apresentador, um comunicador. E agora vou poder explorar esse lado", diz, empolgado.
Isso não quer dizer que seus famosos personagens, como Silvio, Gabi Herpes e Regina Ralé – paródias bem humoradas de Silvio Santos, Marília Gabriela e Regina Casé – vão estar de fora de "A Grande Farsa". Para o diretor Márcio Trigo, a ideia é brincar com a realidade dos personagens. "Queremos deixar o público com a dúvida: será que é real ou é uma farsa? Aqui, nada é o que parece ser", brinca Márcio.
Quadros como "Diferente com Gabi" vão levar convidados como Sabrina Sato, Evandro Mesquita, Danilo Gentili e Adriane Galisteu. Já no "Show de Caloucos", o personagem Silvio recebe candidatos que querem seus cinco minutos de fama. No "UFCeará", o apresentador encarna o Calvão Bueno, um narrador de lutas coreografadas.
O uso de tantas imitações não é visto como um problema para ele, que não encontrou nenhuma barreira para representá-los. "Acho que funciona como uma homenagem. Adoraria se alguém me imitasse, mas acho que ainda não cheguei nesse patamar", diz, aos risos.
Novos personagens, no entanto, também vão entrar na brincadeira. "Tivemos a ideia de falar com pessoas na rua. Mas depois sugeri que eu fizesse esses personagens reais, maquiadores, porteiros", entrega Ceará. O quadro "O Povo Falha" é o espaço encontrado para fazer cenas externas. Fora do estúdio, o apresentador se transforma em pessoas comuns para repercutir o que está acontecendo no palco ou sobre o convidado que está lá.
Com tantos arquétipos, o processo de caracterização é bastante desgastante. "Às vezes, demoramos mais na maquiagem do que gravando. Mas é o que eu queria fazer, então estamos todos muito focados e com disposição", comemora.
Tanta empolgação fez com que Ceará se envolvesse em todos os detalhes do projeto: desde a concepção do formato, passando por cenário e até roteiro. "Contamos com uma equipe de roteiristas. Mas vejo o roteiro como um GPS, que me mostra de onde tenho de ir e aonde preciso chegar. Mas não consigo ser engessado, nunca fui assim", admite o apresentador.
Além da estreia do humorista no Multishow, "A Grande Farsa" também marca a parceria do braço da Globosat com mais uma produtora de conteúdo, a recém-criada Formata. Segundo a executiva da empresa, Dani Busoli, o canal não mediu esforços para a criação do formato. "O mercado está retraído e a maioria das emissoras tem controlado seus gastos. Mas o Multishow está investindo. E bastante", revela Dani.
Com exibição de segunda a sexta, o programa tem uma primeira temporada estabelecida em 20 episódios. Um segundo ano, no entanto, ainda é visto com cautela pelo diretor. "As segundas temporadas sempre dependem das primeiras. É nosso desejo e acho que vai dar certo. Mas só esperando para ver", pondera Márcio.


Serviço:"A Grande Farsa"
– Estreia hoje, às 22h30, no Multishow

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