Aproveite o inverno onde o frio é novidade
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de julho de 2000
Ângela Lacerda e Beatriz Coelho da Silva Agência Estado 
Tradicionalmente divulgados como roteiros de verão, Rio de Janeiro e Pernambuco estão surpreendendo os turistas nesta estação. Acostumados com uma temperatura nunca abaixo dos 20 graus, os cariocas estão inovando. A moda agora, que já encontra adeptos de vários Estados, é subir a serra. O Nordeste, que inevitavelmente nos faz lembrar um destino de muito sol, água-de-coco e praias, conseguiu a proeza de preparar um interessante Circuito do Frio.
No Rio, a onda é curtir o frio com direito a pulôver e cachecol de lã. Já houve vários modismos, dos hippies de Mauá aos yuppies de Lumiar, em Nova Friburgo. Agora, a bola da vez é esta dividida entre Araras, Correias e Itaipava, bairros de Petrópolis, que fica a menos de uma hora de carro da cidade, seguindo em direção à BR-040, que liga o Rio a Brasília.
É o caminho inverso ao da alta sociedade carioca, até a metade deste século, quando os três bairros eram área rural da Cidade Imperial, refúgio do verão carioca de 40 graus à sombra. Hoje vai-se lá para usar roupa de frio e comer (muito bem) pratos que caem melhor com termômetros tímidos. Se o jeito de roça ainda persiste aqui e ali, é só para dar um charme porque a região conta com ótima infra-estrutura e uma rede de restaurantes sofisticada.
Dânio Braga, da Locanda Della Mimosa, foi pioneiro, por ter se instalado em Araras nos anos 80, com sua cozinha do Piemonte, região do Norte da Itália, e uma carta de vinhos de deixar enólogos exigentes com água na boca. Escolheu bem porque a região é um belo vale, com restos da mesma Mata Atlântica que os bandeirantes paulistas acharam quando foram descobrir as Minas Gerais no século 17. Em volta de Dânio, se instalaram outros restaurantes sofisticados a ponto de considerar patê de truta comida caseira (no Trigo) e caracol um animal de criação que se oferece aos clientes (no Escargots).
Em Correias, as pousadas familiares (poucos quartos e administração de um casal com um ou dois empregados) atraem tanto quanto o Pico do Açu, ponto culminante da região, a 2.236 metros acima do mar. Nos restaurantes predomina a comida francesa, farta em queijos (Chez Cox e Dical Bracannot) de todos os tipos e modos de preparo. O programa aí é sempre o mesmo, caminhadas em trilhas durante o dia, mergulho em cachoeiras geladas para os mais corajosos, tudo arrematado por uma refeição para ficar em paz com o mundo.
Nos últimos anos, Itaipava ganhou fama, por ser mais habitada (afinal, está às margens da União Indústria, estradinha de mão dupla, perigosa, mas a única que ligava o Rio a Minas até 20 anos atrás) e porque lá fica o shopping da região. Além disso, os preços são mais em conta embora as opções bastante variadas. E, em Itaipava, se concentra a badalação noturna da região, ao longo do que foi a estrada federal. A vantagem é que nem precisa ter carro ou pernoitar lá. Há ônibus para o Rio (ou vindo de lá) o dia inteiro, embora de madrugada os horários sejam mais esparsos.
Continua na página 4


