Montevidéu - Montevidéu, cidade de pouco menos de 2 milhões de habitantes, é uma versão menor de Buenos Aires, com preços que correspondem à metade dos de São Paulo ou Rio. Quem conheceu a capital uruguaia nos anos 60 percebe uma determinada decadência no padrão de vida do país, que já foi considerado a Suíça da América do Sul, mas são raras as nações latino-americanas que não acusam os reflexos da globalização e da crise econômica. E Montevidéu sobrevive com dignidade: conserva antigos edifícios dos anos 20 e 30, como o Palácio Salvo, recupera o glorioso Teatro Solís e não abre mão da cultura e do espírito cívico.
O explorador espanhol Juan Diaz de Solís e sua tripulação descobriram a região em 1516, pelo Rio da Prata. Os colonizadores portugueses do Brasil fundaram no atual território uruguaio a cidade de Colonia, separada de Buenos Aires apenas pelas águas do Prata. Montevidéu nasceu em 1726, das mãos dos espanhóis. Daqueles tempos antigos, resta apenas uma parte da muralha da Cidadela, na Plaza Independencia, onde também surgem o velho Palácio Salvo, o pequeno Palácio Presidencial, o moderno Palácio da Justiça, o monumento-mausoléu do herói nacional José Artigas e o Teatro Solís.
Essa praça, centro geográfico e político de Montevidéu, caracteriza uma face da capital uruguaia: aquela dos prédios administrativos e dos bares retratados por livros dos escritores Mario Benedetti e Eduardo Galeano. A Montevidéu romântica daquelas páginas resiste ao tempo, assim como o porto de onde saem velozes barcos de passageiros para Buenos Aires. A partir da Plaza Independencia é inevitável caminhar pela principal avenida da capital, a 18 de Julio, em que estão situados hotéis, restaurantes e cafés.
Cada real vale pouco mais de 9 pesos uruguaios. Com apenas 40 pesos ou pouco menos de R$ 5 , é possível almoçar muito bem em Montevidéu. As sugestões do garçom começam pelo chivito, prato típico uruguaio, de pão, carne, queijo e tomate. Já um churrasco (ou uma parrillada) sai por cerca de R$ 15.
Importante: as cervejas uruguaias NorteÀa e Pilsen são de alta qualidade e relativamente baratas. O país também aprimorou a produção de vinhos. Num trecho da Cidade Velha, nas Ruas Ciudadela, Bartolomé Mitre e Bacacay, surgem agora alegres restaurantes e bares ao estilo da paulistana Vila Madalena: há lugares para todas as idades, dos jovens baladeiros aos elegantes executivos.
Uma outra Montevidéu, porém, é descoberta por quem desce até a Rambla, longa avenida que margeia o Rio da Prata. De táxi, tipo de transporte barato no Uruguai, ou de ônibus, é possível visitar as praias Pocitos, Ramirez, Buceo, Malvin e Punta Gorda. Quem gosta de caminhar tem um belo desafio, enfrentando o vento e se deliciando com a paisagem. E mais: sabendo que os motoristas uruguaios são educados e não costumam avançar sobre faixas de pedestres.
A 20 quilômetros do centro, já na região do aeroporto, surge a Praia Carrasco, dominada pela construção imponente do velho cassino. O bairro de Carrasco, habitado pela classe aristocrática, tem ruas que lembram as de cidades americanas.
Para quem gosta de ir às compras, o shopping mais agradável de Montevidéu é o de Punta Carretas, construído com base no antigo presídio que existia no lugar, perto da Praia Pocitos. Nesse shopping, a arquitetura antiga convive com os padrões modernos impostos pela reforma.
E é impossível deixar de relembrar que a velha cadeia está ligada a tempos sombrios do Uruguai: eram levados para lá os opositores à ditadura que persistiu nos anos 70 e 80. Agora, em tempos democráticos, o país tenta acreditar nas promessas de prosperidade do novo presidente, Tabaré Vázquez. (L.D.)

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