Com o materialismo moderno, que vem quase sempre agregado ao poder de consumo, as escolas estão tendo que assumir mais um papel: o de orientar o uso consciente do dinheiro. Mesmo para as crianças de famílias abastadas, a educação financeira tem se tornado fundamental. Trabalhar valores relacionados ao empreendedorismo acaba se integrando aos conceitos de educação financeira, que serve para a vida toda.
Na Escola Villasboas, há três anos a educação financeira tem sido trabalhada com os alunos do segundo ao quinto ano do fundamental 1. Na útima quinta-feira, Dia do Consumidor, a escola promoveu uma visita dos alunos do terceiro ano ao Hipermercado SuperMuffato para que eles pudessem fazer uma atividade extra de pesquisa de preços e conversar com consumidores. Portando R$ 10, cada aluno podia praticar o consumo dentro do limite estipulado pela escola.
Com carrinhos de compra, logo na entrada os ovos de Páscoa já chamavam a atenção. A cada setor do supermercado, uma nova oportunidade para trabalhar o impulso de comprar, principalmente na área de guloseimas. Algumas crianças optaram por investir em itens de material escolar; e teve até quem sugerisse a compra de algum produto de limpeza para ajudar a mãe. Durante a visita, as professoras iam chamando a atenção para a real necessidade de comprar determinados itens e auxiliando os alunos a perceberem o valor dos produtos, a relação do preço e o limite que tinham para gastar.
''A grande questão que sempre colocamos para eles é 'eu preciso realmente disso?''', comenta a coordenadora pedagógica Priscila Michelle Grandolfi Silva. ''Hoje em dia temos muitos consumistas compulsivos e não dá para fugir dessa realidade. Precisamos trabalhar isso na escola sim. É comum as crianças dizerem aos pais: não tem dinheiro, passa o cartão'', afirma.
''Atualmente a educação financeira é essencial porque as crianças têm tudo na mão e não têm noção do quanto custa o conforto de que usufruem. Todo esse trabalho é muito importante para evitar problemas futuros'', complementa a professora Francielle Pereira Franzin.
''Parece que as crianças já nascem consumistas, quando chegaram aqui o primeiro impulso era irem colocando tudo que queriam no carrinho, não se dando conta do preço dos produtos e do quanto podiam gastar. Com a nota fiscal também iremos fazer um trabalho interdisciplinar em sala de aula para ampliar a percepção deles sobre o assunto'', complementa a professora Kelly Mayra Barbosa Patuzzo.
Adepta do hábito de sempre fazer pesquisa de preço antes de comprar, a consumidora Marina Kimura, que é operadora de caixa, elogiou a iniciativa da escola ao ser entrevistada pelos alunos Felipe Guilhen Lukaszczuk, 8 anos, e Matheus José da Silveira, 7 anos. ''Na minha época não tinha esse tipo de orientação, mas hoje em dia ela é muito importante. O uso consciente do dinheiro traz benefícios para a vida toda e a minhas dicas de compra hoje, aqui, são óleo e farinha de trigo'', informa.
A aluna Vitória Soares de Lima, 7 anos, é um exemplo de que esse trabalho vem dando resultado. Em seu carrinho, quatro guloseimas cabiam perfeitamente no seu orçamento do dia (ainda ia sobrar troco) e ela garante que não fica insistindo para que os pais comprem muitas coisas. ''O meu irmão também tem as vontades dele e sei que os meus pais se esforçam muito para eu poder estudar em uma escola boa'', diz.

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