Aprender uma arte por meio de outras artes. É assim que a Escola Municipal Maria do Carmo Campos, de Rolândia, tem conseguido incutir em seus cerca de 550 alunos do ensino básico o gosto pela leitura. Dentre os vários projetos da escola, dois destacam-se pelos resultados obtidos: o de confecção de livros e o de teatro. Ambos resultam na Mostra de Literatura e Artes, na qual são apresentadas danças e peças de teatro.
Na quinta edição, realizada no Centro Cultural Nanuk nos dias 16 e 17 de abril para celebrar o Dia do Livro Infantil, as histórias escolhidas foram ''Os Três Porquinhos'', ''Chapeuzinho Vermelho'', ''O Patinho Feio'', ''Branca de Neve'' e ''João e Maria'', além das danças da ''Rapunzel'' e da Emília. Também houve uma exposição dos livros confeccionados pelas crianças.
O projeto envolve toda a escola. Os alunos que não atuam assistem às apresentações e até ajudam nos bastidores. Os pais também contribuem através da Associação de Pais e Mestres (que fornece os recursos para cenário e figurino), e assistem a uma apresentação exclusiva. E as peças também são apresentadas para estudantes de outras escolas municipais da cidade.
Além de ensinar os textos e ensaiar com as crianças, os professores ajudam a confeccionar o cenário, a providenciar o figurino e até participam das peças. ''As crianças gostam mais quando o professor atua junto. É muito mais divertido para eles e para nós também'', afirma a professora Adriana Lima de Melo, que fez o Espelho da peça Branca de Neve. Para ela, essa interação ajuda a tornar mais íntimo o relacionamento entre professor e aluno. ''Mesmo quem não é meu aluno vem comentar comigo sobre a peça no corredor da escola, conversa mais'', observa.
Até mesmo os funcionários envolvem-se na produção da mostra. Vestidos de personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo, eles recepcionam as crianças logo na entrada do centro cultural. ''A gente faz por prazer'', garante a zeladora Ângela Dalva da Silva, que há três anos encarna o próprio Monteiro Lobato. Para ela, esse envolvimento de todos é essencial para o sucesso do projeto. ''Além disso, o festival ajuda a estreitar relações não só dentro da escola, mas também entre professores, pais e alunos'', observa.
No total, são feitas cinco apresentações em dois dias. ''A cada apresentação, as crianças vão se soltando mais, ganhando experiência'', comenta a diretora da escola, Silvana Rodrigues Tinoco.
Com o teatro, o contato dos alunos com os livros é bem mais profundo, já que eles precisam estudar bem o texto para depois representar a história para a plateia. A experiência acaba tornando-se também um grande aprendizado sobre disciplina, memorização, comunicação não-verbal e trabalho em conjunto.
Mateus Martini Pavani, 9 anos, já havia participado de outras peças nos anos anteriores, mas dessa vez, como o caçador de ''Chapeuzinho Vermelho'', sua participação foi maior. Da mesma forma, cresceu também seu interesse pelos livros. ''Tem que ler para escrever as palavras certas. Quando eu estava na segunda série escrevia errado, sem parágrafo. A professora falou que tinha que ler para escrever certo, então comecei a ler para fazer certinho'', conta o garoto, garantindo que hoje gosta dos livros. ''A história mais legal é 'Os Três Porquinhos', eu sei de cor. Ela ensina que não pode ser preguiçoso'', revela.
Outro fã de leitura é Haroldo da Silva Pereira Junior, 10 anos, que este ano fez o Lobo Mau caçado por Mateus e também na peça ''Os Três Porquinhos''. Para ele, a história da ''Chapeuzinho Vermelho'' ensina ''bastante coisa que pode acontecer na nossa vida''. ''Não falar com estranhos, não fazer nada de errado, obedecer'', relaciona. Questionado se é melhor assistir à peça ou ler a história, ele nem titubeou: ''Assistir também é bom, mas ler é mais legal''.

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