A literatura infantil sempre foi repleta de bruxas malvadas, feiticeiros poderosos, duendes simpáticos, dragões ferozes, unicórnios singelos e outros seres da fauna fantástica. De época em época um desses personagens imaginários ganha repentina popularidade e se transforma numa verdadeira febre.
Atualmente testemunhamos a febre ‘‘Harry Potter’’. Criada pela escritora britânica Joanne Kathleen Rowling, a história infanto-juvenil do pequeno aprendiz de bruxo se transformou em coqueluche mundial. Publicado em 42 países, a obra, composta de quatro volumes, tem despertado verdadeiras paixões tanto no público infantil-juvenil como no leitor adulto.
O esperado segundo volume da série, ‘‘Harry Potter e a Câmara Secreta’’, acaba de ser lançado pela Editora Rocco e parece mostrar, de maneira mais definida, as verdadeiras características. Se no primeiro volume ficava latente que o poder de sedução da obra não estava exatamente na criação de um universo fantástico, o segundo volume vem deixar isso claro.
J. K. Rowling utiliza os mesmos ingredientes presentes em dezenas de romances similares, sem novidades. A simbólica, e eterna, batalha entre o bem e o mal, um arquétipo recorrente na literatura, é a base de sua história. O próprio imaginário fantástico do universo das feitiçarias se apresenta como plano secundário dentro da narrativa.
A autora faz uso do mistério, da aventura, do suspense, e até mesmo do gênero policial, para apresentar a história e o cotidiano de um colégio interno do ponto de vista de seus alunos. Esse é o único mérito de J. K. Rowling.
Existem dezenas de histórias que possuem como cenário colégios internos - onde os argumentos se apresentam nas relações entre os alunos e entre alunos e professores. E claro, e principalmente, nas grandes aventuras dos alunos em desafiar e violar as rígidas regras da instituição. J. K. Rowling faz uso desses argumentos inserindo-os não num colégio comum, mas num colégio interno de bruxos e bruxas.
Assim como o primeiro volume da série, ‘‘Harry Potter e a Pedra Filosofal’’, narrava o primeiro ano de Harry na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, o segundo volume, ‘‘Harry Potter e a Câmara Secreta’’, apresenta seu segundo ano no colégio. Assim como no primeiro volume Harry tinha que desvendar, com ajuda dos amigos, o mistério do roubo da ‘‘Pedra Filosofal, no segundo volume precisa desvendar o mistério da ‘‘Câmara Secreta’’. Sem grandes novidades, a imagem do pequeno herói que precisa desafiar a ordem vigente para provar suas certezas e, superando as dificuldades com coragem, recebe todos os louros. O personagem Harry, ao nascer, já está predestinado a ser um grande feiticeiro, o único que terá poder de vencer o mal e restaurar o bem. Todo e qualquer fracasso em sua aventura será totalmente provisório, pois nasceu herói e será previsivelmente herói para o resto de sua vida.
Aproveitando o grande interesse despertado pelas aventuras de Harry Potter, vale citar outras obras correlatas das quais J. K. Rowling retirou, visivelmente, grande parte dos ingrediente que compõem sua obra. Primeiro o indescritível ‘‘O Senhor dos Anéis’’ (Editora Martins Fontes, 1994) do escritor inglês J. R. R. Tolkien que, com seus três volumes, pode ser descrito como um poderoso clássico do gênero. Segundo, a trilogia criada pelo também inglês, Philip Pullman, protagonizada pelo menino Will e pela garota Lyra na aventura de salvar o mundo de sua destruição pelas forças do mal. A obra recebeu vários prêmios de literatura infanto-juvenil na Europa. No Brasil foram publicados apenas dois volumes, ‘‘A Bússola Dourada’’ (Editora Objetiva, 1998) a ‘‘A Faca Sutil’’ (Editora Objetiva, 1999). Terceiro, o surrado ‘‘A História Sem Fim’’ (Editora Martins Fontes, 1986) do escritor alemão Michel Ende, onde a aventura ganha elegantes proporções na fantástica viagem do garoto Bastian.
‘‘Harry Potter e a Câmara Secreta’’ de J. K. Rowling, Editora Rocco, tradução de Lia Wyler, 288 páginas, R$ 22,00.

mockup