Há cinco anos a educação financeira faz parte do currículo de alunos da St. James International School, integrando um projeto maior de empreendedorismo criado há dez anos.
Dentro dessa prática pedagógica, uma vez por ano os alunos do primeiro ao sétimo ano do ensino fundamental 1 participam do ''Garage Sale'' - evento em que os alunos se reúnem na quadra da escola para venderem produtos usados.
Com preços que variam de R$ 2 a R$ 6, os produtos são dispostos no chão da quadra, de forma bem informal, repetindo um conceito de venda comum nos Estados Unidos, onde os produtos usados colocados à venda são disponibilizados em garagens ou mesmo na frente das casas. Brinquedos, livros, gibis, jogos e acessórios em bom estado podem ser encontrados a preços acessíveis. Cada aluno pode gastar até R$ 15 e no meio do evento há as promoções para liquidar os produtos.
Parte da renda obtida nas negociações - 20% - será revertida para a compra de produtos de higiene para a Creche Irmãs de Betânia; o restante, poderá ser utilizado em uma confraternização entre alunos e professores ou a compra de jogos pedagógicos. Os objetos que não são comercializados no dia também serão doados à entidade filantrópica. Um grupo de alunos ficará responsável por entregar o material na creche.
''No começo os alunos tinham receio em comprar os produtos usados, achavam que era algo velho e sujo, já que não temos muito essa cultura no Brasil, que tende a valorizar o que é novo e caro. Mas agora está bem diferente, eles se divertem com a atividade e percebem a importância disso, até mesmo pela questão da responsabilidade social'', avalia a diretora Marcia Kobayashi.
Segundo ela, o excesso de propagandas, um maior acesso às informações e até pais mais permissivos estão contribuindo para formar uma geração com um comportamento exageradamente consumista. ''Os pais dizem que não, mas inconscientemente eles acabam compensando a falta de presença, pelo excesso de trabalho, com bens materiais, e a criança acaba sendo influenciada. Procuramos ir na contramão dessa atitude, tendo uma postura mais rígida e disciplinada quanto a isso'', pondera.
A aluna Heloísa Brites, 11 anos, estava com alguns enfeites para chamar atenção para os produtos da sua turma, uma espécie de ''marketing pessoal''. Animada com a atividade, conta que acha interessante poder contribuir com a creche enquanto aprende a lidar melhor com o dinheiro. ''Gosto muito de comprar acessórios para cabelo, mas já percebi que quanto mais a gente compra, mais a gente enjoa'', afirma.
Já Luiza Pitol Grassano, 9 anos, estava satisfeita com as compras que fez no dia: 1 livro e 1 jogo. ''O Garage Sale é muito legal e ajuda a gente a ser mais consciente. Não ganho mesada e procuro não exagerar quando quero alguma coisa. Acho que hoje em dia os jovens ficam muito impressionados com as propagandas'', acredita.
Acostumado a ver a mãe fazer doações de roupas e outros objetos, o aluno Eros Felipe Neto, 10 anos, diz que para ele é tranquilo abrir mão dos brinquedos que não usa mais: ''Alguns brinquedos são de valor sentimental, mas não tem sentido ficar guardando em casa coisas que você não usa mais e que podem ser úteis para outras pessoas''.
A professora Iranides Moreira Pazzoti, 64 anos, destaca como fundamental mostrar aos alunos a importância do empreendedorismo e a lidar com o valor do dinheiro. ''Precisamos desmistificar a ideia de que aquilo que não serve mais deve ir para o lixo. Podemos passar para a frente e ficarmos felizes com coisas usadas que também adquirimos'', comenta. (A.P.N.)

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