Encontrar soluções para melhorar a educação no País, não é tarefa apenas para os comuns mortais. É um trabalho para super-heróis.
Quem acredita piamente nisso é o professor José de Arimathéia Cordeiro Custódio, do Departamento de Comunicação da UEL (Universidade Estadual de Londrina), que concluiu uma monografia de especialização defendendo a utilização das histórias em quadrinhos como instrumento de ensino em sala de aula.
O estudo foi apresentado no começo do ano ao curso de Pós-Graduação em Metodologia da Ação Docente. ‘‘As escolas subestimam as qualidades dos quadrinhos e só usam personagens como Mônica e Cebolinha para enfeitar portas de banheiros’’ - lamenta ele. Arimathéia, leitor confesso de gibis desde criança, acredita que as histórias em quadrinhos são tão ricas em conhecimento e informação quanto qualquer outro recurso didático e lança mão de uma série de argumentos e pesquisas de estudiosos para reforçar sua tese.
AntecipaçãoEle diz, por exemplo, que as crianças apreendem mais rapidamente uma informação quando esta vem embalada numa história em quadrinhos. Alega que as HQs estimulam a imaginação criadora e a busca de outros tipos de leitura; além de desenvolverem o senso de observação de imagens. As revistas do gênero seriam, ainda segundo o professor, mais eficientes numa ‘‘integração social’’ do que os livros didáticos convencionais pela ampla difusão e popularização de seus personagens.
‘‘Do Oiaopoque ao Chuí, quem nunca ouviu falar de Mônica ou Cebolinha?’’ - pergunta. Os personagens criados por Maurício de Souza, aliás, já protagonizaram histórias bastante instrutivas. Ele cita como exemplo a aventura ‘‘Os Planetinhas’’, onde é dada uma aula sobre o funcionamento do sistema solar a partir de uma simples brincadeira de crianças. Combatendo a visão estereotipada que reduz os quadrinhos a mero passatempo escapista, o professor acredita que as HQs não só refletem como - às vezes - até antecipam as transformações da sociedade.
ObrigaçãoOs gibis de Flash Gordon, por exemplo, teriam mostrado ‘‘que a Terra era azul’’ pelo menos três décadas antes do comandante Armstrong comunicar esse fato ao pisar pela primeira vez na Lua a bordo da Apolo 11 em julho de 1969. ‘‘Foi através desse personagem também que os leitores tomaram conhecimento antes do resto da humanidade de invenções como a televisão, o raio laser, a propulsão a jato, a energia atômica e até a própria mini-saia’’ - diz.
O professor cita ainda uma exposição de histórias em quadrinhos montada no Instituto Francês de Arquitetura, em que se propunha interpretar as arquiteturas antiga e moderna à luz da HQ européia. O evento teria revelado que desde a década de 20 não havia uma moda, uma estrutura ou conjunto arquitetônico que não tivessem sido explorados pelos autores de quadrinhos.
Por essas e por outras, Arimathéia acredita que hoje em dia tornou-se quase uma obrigação adotar os gibis como material de apoio em sala de aula. Sua pesquisa obteve nota máxima na avaliação e será indicada para publicação na editora da UEL.

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