Um ator convidado para interpretar Shakespeare sobre um caixote no meio da rua é o pretexto para começar uma estimulante ‘‘aula’’ sobre teatro.
A ‘‘cena’’ está presente no primeiro programa da série Oficinas Culturais, que estréia hoje às 20 horas na Rede Cultura. O teatro, contudo, é só o primeiro tema do pacote de programas produzidos pela Fundação Padre Anchieta em parceria com a CDN-Companhia de Notícias.
A série vai tratar ainda de Artes Plásticas, Literatura, Dança, Fotografia, Cinema e TV, Música, Patrimônio Histórico e Cultural, Arte e Educação e Políticas Culturais, dedicando uma semana para cada segmento. A idéia é despertar a vocação dos leigos para trabalhar em atividades culturais e ao mesmo tempo revelar as etapas de criação dos produtos artísticos.
Ao todo, serão 40 programas a ser exibidos de segunda a sexta às 20 horas com reprises no dia seguinte às 14 horas. O objetivo é educar, mas sem arrancar bocejos da audiência com lenga-lengas didáticas. Boa parte dos programas será ambientada em ruas movimentadas, em meio aos pedestres, sob coordenação de uma equipe de criação da qual faz parte o sempre inusitado videomaker Marcelo Tas.
O teatro, tema inaugural da série, será abordado esta semana em seis programas. O primeiro, intitulado ‘‘Ao Vivo’’, mostra o que é preciso para que uma improvisação cênica na rua seja chamada de teatro. Participam do episódio os renomados diretores José Celso Martinez Correa, Antunes Filho e Ulisses Cruz. ‘‘Shakespeare’’ faz uma aparição, encarnado por um ator infiltrado no meio da multidão, no centro de São Paulo.
O segundo programa da série, batizado de ‘‘Conflito’’, parte da seguinte indagação: que situação faz você parar na rua: um casal namorando ou um casal brigando? Esta é a cena âncora, que discute o combustível principal do teatro: o conflito. Um casal de atores (Ricardo Muller Carioba e Grace Gianoukas) discute o tema com transeuntes em pleno Viaduto do Chá, no centro de São Paulo.
O terceiro programa trata do ‘‘Ator’’, abordando a trajetória da profissão desde seu nascimento na Grécia Antiga. O ator e dramaturgo Juca de Oliveira e a preparadora corporal Vivien Buckup mostram em suas respectivas salas de visitas quais são e como são utilizadas as técnicas de interpretação para teatro. Há ainda cenas de ensaios de Zé Celso Martinez, Antunes Filho e Ulisses Cruz; além de trechos dos espetáculos ‘‘O Avarento’’ e ‘‘O Burguês Ridículo’’, de MoliSre.
‘‘O Prédio’’ é o tema do quarto programa, que vai ao ar na quinta-feira. O grupo Parlapatões faz uma participação especial encenando uma peça exclusivamente para a série, em frente ao Teatro Municipal da capital paulista. São mostrados os diversos tipos de palco e de edificação utilizados como local físico para a exibição teatral, além das funções cumpridas por cenógrafos, figurinistas, maquinistas, iluminadores etc.
O quinto programa aborda o papel do ‘‘Diretor’’, traçando paralelos entre sua função e a de técnicos de futebol, donas de casa e motoristas de ônibus. Com participação de Wanderley Luxemburgo, o novo técnico da Seleção Brasileira de futebol, o episódio inclui depoimentos dos atores Marco Nanini, Bete Coelho, Juca de Oliveira e dos diretores Celso Frateschi, José Celso Martinez e Antunes Filho.
Fechando a série, a sempre anunciada ‘‘morte do teatro’’ é debatida no último episódio diante do desafio proposto pelas novas mídias eletrônicas de entretenimento. Entram na discussão a temida crítica carioca Barbara Heliodora e alguns dos diretores e atores citados acima. O carnavalesco Chico Spinoza e a cantora lírica Mônica Martins fazem participação especial.

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