No próximo domingo, 135 milhões de brasileiros devem participar das eleições gerais de 2010. Mas em Londrina, um grupo de alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental 1 se antecipou e exerceu esse gesto de cidadania na semana passada, em processo eleitoral simulado na própria escola.
Munidos de título de eleitor e contando com uma urna eletrônica improvisados, os alunos da Escola Mundo Encantado participaram da escolha do presidente da escola - uma simulação divertida, mas levada a sério na hora de escolher o aluno que melhor representasse a instituição e com as propostas ''políticas'' mais apropriadas.
Melhorias no campo de futebol, lixeiras para material reciclável, mais computadores e livros novos para a biblioteca, horário especial para exibição de filmes, mais uma faxineira para a escola e até a instalação de cerca elétrica e uma piscina fizeram parte das ''propostas de governo'' dos candidatos Gabriel Morente e João Lucas Oliveira, ambos de 9 anos.
Nesse faz de conta como motivação para refletir sobre a realidade política atual, os alunos candidatos participaram de um debate realizado ao vivo, com direito a mediadora, repórter e participação de internautas durante o jornal televisionado Mundo - que teve trilha sonora da abertura do Jornal Nacional. Na plateia, alunos interessados em obter mais informações sobre os candidatos antes da eleição.
Reforçando o que eles já haviam apresentado nas salas de aula, Gabriel afirmou que considera importante acabar com o tráfico de drogas e preservar o meio ambiente; já João Lucas defendeu o investimento na educação, nos programas sociais e na valorização do esporte como itens mais importantes para uma boa administração, no caso, do Brasil.
E como todo político que se preze, eles também criaram seus slogans com a ajuda dos colegas. O do Gabriel ficou ''Se você é inteligente, vote em Gabriel Morente'' e o do João Lucas, ''Se você quer vencer essa luta, vote em João Lucas''.
Na hora do voto, com os alunos já enfileirados, a boca de urna - prática condenada de influenciar o eleitor a favor de um candidato específico no dia da eleição - chegou a ser presenciada, mas o aluno Leonel Moraes, de 9 anos, designado fiscal, entrou em ação rapidamente. Como mesárias, as alunas Giovana Garcia Gomes, 10 anos, e Victória Costa Caracho, 9 anos, dividiram a responsabilidade de checar se toda a documentação estava correta.
O projeto foi coordenado pelas professoras Patrícia Grandolffi e Denise Lopes Barbosa, sendo que ele foi mais dirigido aos alunos do 5º ano, que tiveram o tema eleição como forma de complementar o conteúdo curricular já previsto de História do Brasil.
''Eles ficaram muito empolgados e fomos estudando o assunto desde a primeira forma de governo que tivemos no País, que foi a monarquia. Deu para perceber que eles são bem críticos e muitas vezes já vinham para a sala com uma opinião formada, sob influência dos pais'', afirmou Denise. Assistir aos debates em família, produzir textos e participar da elaboração de sugestões para melhorar a escola integraram a dinâmica do estudo.
''O objetivo deste trabalho, com caráter interdisciplinar, é preparar melhor desde a infância nossos alunos a serem cidadãos mais críticos e, consequentemente, eleitores mais conscientes'', complementa a coordenadora pedagógica Adilcéia Cardoso Feltrin Sabino.
Como fazer promessas é mais fácil do que cumpri-las, vale lembrar que na última eleição realizada na escola, no ano passado, a proposta do candidato eleito de instalar traves no campo de futebol se tornou realidade. Uma forma de comprovar que a participação popular - mesmo dos nossos representantes mirins - pode render bons resultados.

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