Aprendendo a votar
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Ana Paula Nascimento<BR>Reportagem Local 
No próximo domingo, 135 milhões de brasileiros devem participar das eleições gerais de 2010. Mas em Londrina, um grupo de alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental 1 se antecipou e exerceu esse gesto de cidadania na semana passada, em processo eleitoral simulado na própria escola.
Munidos de título de eleitor e contando com uma urna eletrônica improvisados, os alunos da Escola Mundo Encantado participaram da escolha do presidente da escola - uma simulação divertida, mas levada a sério na hora de escolher o aluno que melhor representasse a instituição e com as propostas ''políticas'' mais apropriadas.
Melhorias no campo de futebol, lixeiras para material reciclável, mais computadores e livros novos para a biblioteca, horário especial para exibição de filmes, mais uma faxineira para a escola e até a instalação de cerca elétrica e uma piscina fizeram parte das ''propostas de governo'' dos candidatos Gabriel Morente e João Lucas Oliveira, ambos de 9 anos.
Nesse faz de conta como motivação para refletir sobre a realidade política atual, os alunos candidatos participaram de um debate realizado ao vivo, com direito a mediadora, repórter e participação de internautas durante o jornal televisionado Mundo - que teve trilha sonora da abertura do Jornal Nacional. Na plateia, alunos interessados em obter mais informações sobre os candidatos antes da eleição.
Reforçando o que eles já haviam apresentado nas salas de aula, Gabriel afirmou que considera importante acabar com o tráfico de drogas e preservar o meio ambiente; já João Lucas defendeu o investimento na educação, nos programas sociais e na valorização do esporte como itens mais importantes para uma boa administração, no caso, do Brasil.
E como todo político que se preze, eles também criaram seus slogans com a ajuda dos colegas. O do Gabriel ficou ''Se você é inteligente, vote em Gabriel Morente'' e o do João Lucas, ''Se você quer vencer essa luta, vote em João Lucas''.
Na hora do voto, com os alunos já enfileirados, a boca de urna - prática condenada de influenciar o eleitor a favor de um candidato específico no dia da eleição - chegou a ser presenciada, mas o aluno Leonel Moraes, de 9 anos, designado fiscal, entrou em ação rapidamente. Como mesárias, as alunas Giovana Garcia Gomes, 10 anos, e Victória Costa Caracho, 9 anos, dividiram a responsabilidade de checar se toda a documentação estava correta.
O projeto foi coordenado pelas professoras Patrícia Grandolffi e Denise Lopes Barbosa, sendo que ele foi mais dirigido aos alunos do 5º ano, que tiveram o tema eleição como forma de complementar o conteúdo curricular já previsto de História do Brasil.
''Eles ficaram muito empolgados e fomos estudando o assunto desde a primeira forma de governo que tivemos no País, que foi a monarquia. Deu para perceber que eles são bem críticos e muitas vezes já vinham para a sala com uma opinião formada, sob influência dos pais'', afirmou Denise. Assistir aos debates em família, produzir textos e participar da elaboração de sugestões para melhorar a escola integraram a dinâmica do estudo.
''O objetivo deste trabalho, com caráter interdisciplinar, é preparar melhor desde a infância nossos alunos a serem cidadãos mais críticos e, consequentemente, eleitores mais conscientes'', complementa a coordenadora pedagógica Adilcéia Cardoso Feltrin Sabino.
Como fazer promessas é mais fácil do que cumpri-las, vale lembrar que na última eleição realizada na escola, no ano passado, a proposta do candidato eleito de instalar traves no campo de futebol se tornou realidade. Uma forma de comprovar que a participação popular - mesmo dos nossos representantes mirins - pode render bons resultados.


