Há seis anos atuando como psicólogo da entidade, Carlos Ferraz Alves Jr. salienta a necessidade de todos procurarem se sensibilizar à causa e saberem lidar de uma forma mais consciente em relação ao processo de envelhecimento. Trabalhando diariamente com diferentes públicos, com graus variados de debilidades, inclusive alguns casos de demência, ele faz questão de citar a necessidade de se investir no preparo da equipe cuidadora, formada por profissionais de diferentes áreas.
"É preciso dar atenção a essas pessoas e investir em capacitação dentro de um trabalho integrado, desde o funcionário da limpeza até o profissional de saúde. Muitas vezes é difícil compreender de forma adequada todas as mudanças físicas e psicológicas que envolvem o envelhecimento", afirma. "É preciso também mais investimento financeiro para os idosos que, infelizmente, não parecem ser prioridade das políticas públicas de modo geral", observa.
Sobre a possibilidade de "saber envelhecer melhor", com mais qualidade de vida, Alves considera essencial não perdermos a capacidade de olhar para si, de refletir sobre si mesmo. "A perda do contato consigo mesmo é uma característica da cultura ocidental e isso acaba ajudando a promover uma cultura que não valoriza o idoso, o seu patrimônio histórico. Acaba se instalando uma cultura do descartável e isso é prejudicial para todos. É preciso refletir a fundo sobre essa temática e acredito que educação e cultura precisam andar juntas para avançarmos nesse ponto", avalia. (A.P.N.)

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