Aprendendo a contar histórias
No pátio da escola, a turma responsável pela confecção do tapete da história "A Lenda das Cataratas do Iguaçu" fez uma rápida encenação para o resto da turma como ensaio e forma de irem adquirindo mais traquejo na hora de contar uma história em público. Ao aprender a projetar mais a voz e interagir com a plateia, a narradora foi vencendo a timidez, enquanto as outras crianças iam manipulando os objetos soltos e presos com velcro, conforme a cena e o ritmo da narrativa. A plateia se divertiu com a narração e fez parte da aprendizagem também silenciar para respeitar o tempo de fala do outro. Até uma pequena apresentação de flauta fez parte da encenação.
Os cinco tapetes confeccionados pelas crianças poderão ser conferidos pelos pais dos alunos em evento de culminância da escola agendado para o dia 7 de agosto, sendo que eles também deverão ser expostos no 4º Encontro de Contadores de Histórias de Londrina (Ecoh) de 5 a 17 de agosto e na Prefeitura de Londrina. Além disso, a conclusão do projeto irá contemplar um passeio até a Chácara Marabu, em Rolândia. Todos os tapetes ficarão de forma permanente na escola para servir como material didático para os professores, que ainda irão participar de uma oficina de sensibilização para aprender a utilizar os tapetes durante a contação de histórias. (A.P.N.)
Os tapetes de tecido confeccionados por alunos da Escola Municipal Arthur Thomas, de Londrina, não são mágicos, mas fazem a imaginação voar. Ao mesmo tempo que ilustram a contação de histórias de origem africana, indígena e da cultura popular brasileira, ajudam na decolagem da mente. A oficina cultural "Costurando Histórias" está sendo realizada no contraturno com 28 alunos, de 9 a 11 anos de idade. Com patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), a iniciativa partiu da artista plástica Patricia Mendes Cavalcante e da produtora cultural Daniella Fioruci, que desde o final de fevereiro estão realizando a atividade duas vez por semana. A oficina tem duração de quatro horas e será encerrada em agosto.
Na sala cheia de materiais, como tecidos coloridos, botões, linhas, fios, tesouras e agulhas, os alunos se divertem e deixam a criatividade solta para criar os mais diferentes objetos de tecidos que ilustram os personagens e situações características das histórias vivenciadas em rodas de conversa e que serão pregados nos tapetes. No decorrer do semestre, eles tiveram contato com 12 histórias, que foram lidas em conjunto e serviram de base para os alunos selecionarem cinco contos a serem transformados em tapetes coloridos e cheios de aventuras para contar: a lenda brasileira "O Vaqueiro Que Não Sabia Mentir", a lenda africana "Ananse, o Dono das Histórias" e as lendas indígenas "Nhanderu, a Lenda do Sol e da Lua", "Nhanderu, Porque o Sol Anda Tão Devagar" e "A Lenda das Cataratas do Iguaçu". Dinâmicas e brincadeiras também fizeram parte das atividades.
Orgulhosos de suas próprias criações, os alunos se esmeram em explicar nos mínimos detalhes os tapetes feitos com muito capricho e mostram um bom domínio da arte de costurar, usando com habilidade linhas, agulhas e tesouras materiais que nem sempre os adultos permitem que eles tenham acesso. Ponto atrás, ponto cheio, ponto caseado, entre outros, e até fuxico fizeram parte de suas descobertas. Alguns alunos chamam a atenção pela qualidade do resultado conquistado.
"Isso foi muito interessante, ainda mais que a maioria nunca tinha costurado nada antes. Trabalhamos o tempo todo com o conceito de autonomia, lembrando sobre as responsabilidades deles para que o trabalho em conjunto consiga ser realizado, e a proposta é que as ideias para o tapete partam deles. Algumas vezes eles chegaram a pedir moldes para fazer, por exemplo, uma onça, mas gradativamente passaram a ter mais autoconfiança e fazer as coisas do jeito deles", explica Daniella.
E o resultado foi surpreendente: teve aluno que de repente descobriu que conseguia fazer moldes no papel para depois ser utilizado no tecido e teve até quem desenvolveu em alguns trabalhos uma estética bem peculiar de referência indígena. Objetos que se movimentam, como um sol que pode ser utilizado como uma luva, e até um dedoche com um urubu cheio de estilo fazem parte dos objetos cênicos criados por eles. "Esse tipo de trabalho manual também faz um resgate afetivo com relação à atividade de costurar, que muitos deles já conheciam por parte das avós, relacionando-se a várias questões simbólicas. É uma forma também de se concentrarem no que estão fazendo, sentirem que são capazes de criar algo bonito e o tapete feito por eles passa a ter um significado maior, diferente do que se tivéssemos trazido tudo pronto", acrescenta a artista plástica Patricia.
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