Com o fim de ‘‘Fascinação’’, na última sexta-feira, o SBT passa a exibir a partir de hoje, às 20 horas, a novela ‘‘Pérola Negra’’. Prevista para ir ao ar em março, a trama totalmente gravada foi engavetada por Silvio Santos sem nenhuma explicação. Em seguida, o empresário decidiu produzir ‘‘Fascinação’’ às pressas para estrear, simultaneamente, com ‘‘Torre de Babel’’, da Globo, no dia 25 de maio.
Fazendo dobradinha com ‘‘Chiquititas’’, ‘‘Pérola Negra’’ reforça a aposta da emissora em adaptações de dramalhões latinos, com tramas simples e poucos personagens. Como não poderia deixar de ser, a trama argentina, protagonizada por Patrícia de Sabrit, é recheada de segredos, intrigas, traições e disputas familiares.
Na mesma linha, a emissora ainda tem guardado o remake inédito de ‘‘O Direito de Nascer’’, produzido pela JPO, e acaba de adquirir os direitos de produção da novela colombiana ‘‘Águas Mansas’’, que narra a história de três irmãos empenhados em vingar a morte de sua irmã. Cotada para substituir ‘‘Fascinação’’, ‘‘Segredo’’ (também escrita por Walcyr Carrasco) foi definitivamente descartada.
Segundo o diretor de dramaturgia do SBT Crayton Sarzi, responsável pela compra e adaptação dos textos, querer imitar a Globo é sinônimo de fracasso. ‘‘Os autores brasileiros não entendem a filosofia do SBT, que é fazer folhetins’’, comenta. Sarzi cita ‘‘Os Ossos do Barão’’ (1997) como um exemplo recente dessa falha. ‘‘Nem Silvio Santos via a novela’’.
Sarzi acha que ‘‘Pérola Negra’’ vai atrair o público porque tem uma história dinâmica. Para o diretor, a novela manterá a audiência de sua antecessora, que ultimamente registrava uma média de 13 pontos no ibope. ‘‘Ratinho provoca o aumento da audiência dos programas que vão ao ar antes e depois do dele’’, diz Sarzi.
Na história da nova novela do SBT, Pérola (Patrícia) é uma menina abandonada num internato, que, já adulta, assume a identidade de sua melhor amiga, a milionária Eva (Vanusa Spindler), morta num acidente. O vínculo das duas é tão grande que a falecida vira o anjo da guarda da impostora.
‘‘Pérola assume o lugar de Eva para cuidar do filho da amiga, não para tirar proveito da situação’’, comenta Patrícia. ‘‘Eva faz esse pedido a Pérola porque pensa que ela não tem família’’, diz Vanusa. ‘‘Mas depois serão revelados alguns segredos sobre Pérola.’’ A moça não é órfã nem pobre, como se imaginava.
Além da identidade, as amigas compartilham, sem saber, o amor do arrogante Tomás (Dalton Vighi). ‘‘Eles têm uma relação de amor e ódio porque Pérola descobre que ele enganava as duas’’, diz Patrícia.
Para as duas atrizes, o fato de o texto ser uma adaptação de um original argentino (escrito por Enrique Torres) não foi um problema. ‘‘O que achei complicado foi a violência das palavras: em situações banais, são usadas expressões muito agressivas’’, diz Patrícia. ‘‘Mudamos algumas coisas que achamos pouco coloquiais, mas sempre com o maior cuidado de não interferir no trabalho do Crayton’’, lembra Vanusa. ‘‘Não acho que houve problema até aqui, mas vamos ver no decorrer da novela.’’
Por conta do adiamento da estréia de ‘‘Pérola Negra’’, atores do elenco da trama do SBT acabaram participando da novela ‘‘Estrela de Fogo’’, da Record. Como vai continuar na segunda fase da trama rural, Ângela Dip estará no ar quase que simultaneamente nas duas emissoras.
‘‘É uma situação inusitada: acho maravilhoso, mas fica complicado realizar outros trabalhos’’, diz a atriz, que ainda pode ser vista na Cultura como a Penélope de ‘‘Castelo Rá-Tim-Bum’’. Os personagens de Vanusa Spindler e Dalton Vighi permanecem na novela ‘‘Estrela de Fogo’’ até sexta-feira.
Quando começou a ser gravada em julho do ano passado, ‘‘Pérola Negra’’ era parte de um projeto denominado ‘‘fábrica de novelas’’. Silvio Santos pretendia reduzir os custos das produções de teledramaturgia da emissora, com elenco reduzido e atores desconhecidos. Cada capítulo da trama não podia custar mais de US$ 45 mil.
Os diretores Henrique Martins e Antonino Seabra também adotaram a técnica de gravar os capítulos na sequência em que iriam ao ar ‘‘para facilitar a vida dos atores e dar mais dinamismo às gravações’’.
Com a decisão de produzir ‘‘Fascinação’’ na última hora, Silvio Santos reduziu ainda mais os investimentos em teledramaturgia: cada capítulo da trama custava cerca de R$ 20 mil.

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