Trabalhando como produtor musical há mais de dez anos, o baterista Luciano Galbiati afirma que atualmente existem cerca de cinco estúdios de música instalados na cidade e que há demanda para todos. "Londrina tem muitos músicos profissionais atuando em diversos estilos musicais e isso acabou gerando uma segmentação no setor. Eu, por exemplo, faço um trabalho no Estúdio Bless focado em bandas de rock, mas existem outros estúdios direcionados mais para o sertanejo e outros gêneros", afirma.
Integrante da dupla sertaneja Léo e Marky, em janeiro deste ano o cantor e compositor Marcus Vinicius Pelegrinelli de Faria Lima montou o Estúdio LM, um dos maiores e mais modernos de Londrina. "Criei um estúdio que pode ser utilizado tanto para gravação de CDs quanto para ensaios. A maioria dos estúdios da cidade tem salas pequenas e hoje em dia as bandas, principalmente do universo sertanejo, são grandes, com muitos instrumentos. Então montei um sala com 44 m² que permite reunir muitos músicos e gravar todos os sons ao mesmo tempo", afirma.
Marky revela que está partindo em carreira solo e confirma que os estúdios de Londrina são segmentados. "Como circulo mais no meio sertanejo, é natural que a maioria dos meus clientes seja desde universo, mas estamos abertos para receber músicos de qualquer outro estilo musical. Afinal somos todos colegas de profissão", enfatiza.
Na avaliação do produtor musical Luciano Galbiati, a demanda pela gravação de CDs na cidade se deve basicamente a dois fatores. "Existem muitos músicos especializados em Londrina e a explosão nacional de vários artistas sertanejos que residiram na cidade acabou atraindo a atenção dos profissionais da área musical para cá", analisa.
Segundo ele, além dos artistas que bancam financeiramente a gravação de seus discos ou contam com apoio de leis de incentivo à cultura, existem empresários de outros setores que investem em duplas sertanejas locais visando o retorno financeiro depois que elas conseguirem fazer sucesso nacionalmente.
Entretanto, Galbiati afirma que apesar da grande demanda pela gravação de CDs, o retorno financeiro no caso dos estúdios é mais lento do que em outras atividades. "O retorno existe, mas é a longo prazo. Geralmente quem investe nesse ramo é porque ama trabalhar com música e não apenas visa garantir o retorno financeiro", afirma.
É o caso do músico Marco Aurélio Chiara Silva, que abriu mão da profissão de bioquímico para investir na montagem do estúdio Toque Grave. "É realmente necessário gostar muito dessa área pois assim como eu fazia muitos músicos mantêm profissões paralelas e por isso só podem fazer ensaios e gravações à noite ou nos fins de semana e feriado. Então tenho que abrir mão de ficar com a família para ficar no estúdio, mas vale a pena pois me sinto realizado em poder trabalhar com música", ressalta.

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