Aposta no óbvio
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de novembro de 2014
Anna Bittencourt <br>TV Press 
O Multishow parece ter encontrado o seu "filão". E a estreia de "Trair e Coçar é Só Começar", na segunda-feira, só reforça essa vertente. Por muitos anos, o canal a cabo tentou seguir uma linha mais musical, nos moldes da extinta MTV. No entanto, o humor veio como uma nova e grande aposta e começou a roubar o espaço da música, que acabou sendo empurrada para o canal Bis, também da Globosat.
Produções como o "Vai Que Cola", "Meu Passado Me Condena" e "Cilada" alçaram o Multishow a um novo patamar na dramaturgia nacional e garantiram ao canal o status de líder de audiência na tevê fechada. Por isso, novos programas no mesmo formato foram pensados para o segundo semestre deste ano e também para 2015.
Não é a toa que a peça de Marcos Caruso, em cartaz há 29 anos e que já levou mais de 6 milhões de pessoas ao teatro, foi uma aposta confortável. "Estamos falando de um humor simples, cotidiano e até ingênuo. Mas, ao mesmo tempo, oferecer uma produção inteligente e sem apelação", opina o ator, que também é responsável pelo roteiro da adaptação para a tevê, que foi uma coprodução do Multishow com a produtora Zola.
A história gira em torno de Olímpia, interpretada por Cacau Protásio. Ingênua, ela é a empregada de Eduardo e Inês. O casal recém-separado, vivido por Cássio Scapin e Márcia Cabrita, mora no mesmo prédio e divide os serviços da doméstica. Com isso, ela acaba fazendo um "leva e traz" de informações nada precisas e garantindo a confusão da trama.
Para retratar os dois apartamentos, "Trair e Coçar é Só Começar" é gravado no Teatro Adolpho Bloch, no Rio de Janeiro. Com uma estrutura que se assemelha aos vários cômodos do "Vai Que Cola", o cenário é bem construído. Com direito a escada e elevador que realmente funciona , a história é contada apenas naquele espaço.
Para dar conta do sobe-e-desce, Cacau Protásio recorreu à ajuda de um personal trainer, além de ter aulas diárias com a preparadora de elenco Maria Silvia. "Sou um bolo fofo. Não teria resistência para essa maratona", diz, aos risos, e completa que participar do humorístico deu mais "moral" para protagonizar uma produção semelhante. "Quem faz Vai Que Cola faz qualquer coisa. É cansativo, mas é uma experiência muito boa", valoriza a atriz.
Além do trio, a série conta com mais quatro atores no elenco fixo. Ligia e Cristiano, de Daniele Valente e Marcelo Flores, são o típico "casal-melhor-amigo". Juntos há dez anos, eles estão sempre no meio das brigas de Eduardo e Inês, tentando apaziguar as situações. Além deles, Gorete Milagres interpreta Zilda, melhor amiga de Olímpia, e Vinícius Marins é Joel, o zelador do edifício.
Para contar a história, também são utilizadas muitas participações especiais. Augusto Madeira, Bianca Byington, Diogo Nogueira, Cássia Linhares e Samantha Schmütz são alguns dos nomes. "É sempre bom ter novos personagens entrando. Além de movimentar a história, para a gente, é um gás a mais na hora de gravar", comemora Márcia Cabrita.
Com seis câmaras, os diretores César Rodrigues e Caetano Caruso gravam cada um dos 15 episódios de duas formas. Primeiro, sem plateia, e, depois, com cerca de 250 pessoas lotando o teatro. "Usamos cenas tanto de um quanto do outro. O que acontece, na maioria das vezes, é que a primeira passagem de texto é apenas um ensaio", explica Caetano Caruso, que, ao lado do pai, Marcos Caruso, também assina o roteiro da série.
Como vai ficar apenas três semanas no ar, já que conta com episódios de segunda a sexta, a produção já tem uma próxima temporada garantida para 2015. "Por isso, não poderíamos nos prender apenas à traição amorosa. Vamos falar de traição entre amigos, de princípios...", enumera Marcos Caruso.
Serviço:
"Trair e Coçar é Só Começar" Estreia segunda-feira, às 22h30, no Multishow


