Lençóis, BA - O aposentado Coriolano Rocha de Oliveira, de 78 anos, o seu Cori, tem um garimpo no quintal. Depois de 66 anos de caça a diamantes, montou um minigarimpo em casa para mostrar aos turistas como tudo funcionava. É a história de Lençóis e de grande parte dos municípios da Chapada Diamantina em primeira pessoa - exemplo da tradição adaptada ao turismo, atual motor da cidade.
Orgulhoso e faceiro, tem até roteiro de apresentação. Primeiro, mostra uma casinha de pau-a-pique, em tamanho real, e explica que os garimpeiros moravam ali ou em grutas. Depois, exibe alguns utensílios típicos, explica para que serviam e acende uma espécie de cachimbinho com a faísca produzida pelo atrito de duas pedras.
Troca de roupa e vai ao que interessa, vestido de garimpeiro. De blusa e calça de um tecido que parece saco de estopa, leva três peneiras - uma fina, uma média e outra maiorzinha - para um buraco com água e cascalho. Diante dos turistas, joga um diamante bem pequeno no buraco e começa a trabalhar. Na primeira leva de cascalho, trazida à tona pela peneira maior, nada. Na segunda, pedras mais escuras, aglomeradas no centro das demais, indicam que há diamante próximo. ''Isso se chama informação'', explica seu Cori. Na terceira peneirada, mais informação e o danado ali, bem no meio. ''Quando achei isso de verdade, ajoelhei e dei mil graças'', lembra.
Quando não tinha água perto da mina, o jeito era peneirar um pouco no seco e levar o cascalho ''filtrado'' até o rio. Às vezes, também abriam caminho para levar a água do rio até onde estavam trabalhando. ''Na serra, nós somos engenheiros.''
Seu Cori casou jovem. ''Tomei dinheiro emprestado do patrão para casar. O negócio estava meio apertado, e as coisas, meio adiantadas, de quatro meses'', diz, rindo, sobre o primeiro de seus sete filhos. Viveu com dificuldade, mas hoje se vê satisfeito.
Ele passa quase o tempo todo ali, na Rua São Benedito, número 132 (antiga Rua dos Negros), e mostra o minigarimpo a quem se interessar. Há uma placa diante da casa e alguns folders começam a ser distribuídos em pontos turísticos da cidade. Seu Cori não cobra ingresso, mas aceita contribuições. (L.D./AE)

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