Apoio logístico é essencial, diz secretário municipal
São Paulo - Nepal, Ilhas Fiji, Deserto do Mojave, nos Estados Unidos, o Outback da Austrália, Fernando de Noronha. Edison Passafaro, de 43 anos, e paraplégico há 24, tem um vasto roteiro de viagens de aventura nas costas. Disposição nunca lhe faltou. Mas, em quase todas as vezes, teve de pedir apoio aos guias e até a desconhecidos para conseguir acessar os locais. E mais de uma vez recebeu como resposta uma cara meio antipática.
''Claro que quando você faz viagens como essas tem de ter um espírito de aventura. Mas às vezes você acaba 'alugando' outras pessoas que estão na viagem. O legal seria que os guias fossem preparados para atender a todo tipo de gente'', comenta, com base em suas inúmeras experiências pessoais. ''Isso faz uma diferença enorme'', acrescenta. Passafaro é secretário-executivo da Comissão Permanente de Acessibilidade da Prefeitura de São Paulo.
Em 1997, quando esteve no Nepal ao lado de oito deficientes, sentiu na pele quanto a ajuda de profissionais pesa. Foi uma viagem longamente preparada para um grupo de portadores de deficiência. Por essa razão, o apoio logístico local estava bem preparado. ''Os guias nos levavam nas costas para todos os lados. Saber que as pessoas estão lá, à sua disposição, é muito diferente.''
A infra-estrutura de hotéis e pousadas é outro nó, especialmente quando se está fora de países onde a cultura da acessibilidade não está difundida. ''Nos Estados Unidos, até o Bagdá Café, em pleno Deserto do Mojave, tem rampinha para cadeira de rodas'', lembra Passafaro. Em outra de suas aventuras, viajou sozinho num carro adaptado pela lendária Rota 66, em 1999. ''No Brasil, em muitos lugares você não consegue nem usar o banheiro'', observa ele.
Entre as aventuras de Passafaro, contam-se ainda um mergulho com o oceanógrafo Jacques Cousteau, em 1991, nas Ilhas Fiji, saltos de pára-quedas, vôos de balão pelo Himalaia e mergulhos em Fernando de Noronha. ''Quanto mais o pessoal do ecoturismo souber lidar com a diversidade, mais o espírito da acessibilidade vai se espalhando pelo País.'' E Passafaro sabe como poucos do que está falando. (M.M.S.)





