'APOCALIPSE' TEM INGRESSOS ESGOTADOS
CORRIDA MALUCA APOCALIPSE TEM INGRESSOS ESGOTADOS Não há mais ingressos para o espetáculo que será encenado no Presídio de Piraquara. Sessão-extra ainda não foi confirmada DivulgaçãoA atriz Mariana Lima é Babilônia no espetáculo que tem a punição como tema e um presídio como cenário no Festival de Teatro Simone Mattos De Curitiba O espetáculo Apocalipse saiu na frente na corrida da venda de ingressos da 9ª edição do Festival de Teatro de Curitiba. Há uma semana, os 160 lugares disponíveis estavam esgotados. A lista de espera já tem 80 nomes. A montagem é do grupo paulista Teatro da Vertigem, com direção de Antônio Araújo, e será apresentada de 22 a 25 de março num espaço totalmente alternativo, dentro do Presídio de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. Ainda não há confirmação se haverá sessão-extra. A companhia já está acostumada com o sucesso. Desde que o espetáculo estreou em São Paulo, há dois meses, no Presídio do Hipódromo, não houve sequer uma cadeira vaga em nenhuma das sessões. A produtora Fernanda Signorini explica que o espetáculo atinge o principal objetivo que é o da indignação. A nossa proposta é de, no mínimo, provocar reflexão no público, afirma. Apocalipse fala sobre injustiças com as quais a sociedade convive, mas se mantém imune. O tema central da peça, a punição, não teria lugar melhor para ser levada a efeito do que um presídio. É nesse ambiente de desolação que o personagem João e todos os demais percorrem o caminho dos supostos pecados e do julgamento. A linguagem do texto é contemporânea, as aflições são atuais, o espaço é urbano e a miséria humana narrada no espetáculo é a mesma com a qual o público se depara todos os dias na sociedade em que vive. Conseguimos passar para as pessoas a idéia de confinamento, de estarem presas numa determinada situação, explica Fernanda. O premiado grupo Teatro da Vertigem já realizou outras montagens inusitadas, como O Paraíso Perdido, encenado dentro de uma igreja, e O Livro de Jó, que teve como palco um hospital de São Paulo. Em cena, o personagem João está à procura de Nova Jerusalém, cidade mítica da felicidade eterna. Ele recebe a visita de um anjo poderoso, que lhe anuncia o fim dos tempos e o convoca como testemunha. Por força dessa anunciação, João passa a observar o que ocorre em torno. Os caminhos que ele percorre, no entanto, não o levam à cidade mítica de suas fantasias bíblicas, mas à cidade real e degradada da virada do milênio. João acompanha o julgamento dessa humanidade aflita, para encontrar a paz não no cenário celestial proposto por sua fé, mas junto à sociedade atual. Escrito pelo dramaturgo Fernando Bonassi, o espetáculo teve quatro fases de criação. Numa primeira etapa, diretor e dramaturgo reuniram-se em torno da idéia de criar uma peça a partir do texto bíblico Apocalipse, de São João. A segunda fase foi de intensa pesquisa, através de workshops com atores e leituras públicas. Na etapa seguinte, já com o texto pronto, tiveram início os ensaios. Nessa época, todos os atores se dedicaram a compôr os seus personagens através de visitas a lugares-referências, onde pudessem colher impressões e emoções similares a seus papéis. Numa última fase do processo de criação, a equipe começou a adaptar o espetáculo ao local escolhido. Segundo a companhia, a exploração do espaço do presídio do Hipódromo modificou e transformou o espetáculo, fazendo-o assumir uma caráter que não havia sido imaginado pela companhia. A produção garante que a montagem curitibana de Apocalipse será idêntica a apresentada em São Paulo, sem nenhuma modificação. Em setembro, o espetáculo seguirá para temporada em Portugal.





