'Apocalipse 1,11' estréia hoje
Elisa Marilia Carneiro
De Curitiba
A primeira peça com ingressos esgotados, Apocalipse 1,11, do programa oficial do 9º Festival de Teatro de Curitiba, finalmente estréia hoje com a promessa de causar indignação. Encenada no Presídio de Piraquara, com direção de Antonio Araújo, o espetáculo tem como tema central a punição e as injustiças a que estamos nos acostumando a conviver.
O sucesso da peça, que estreou em São Paulo no Presídio do Hipódromo, há dois meses, deve se confirmar em Curitiba. A lista de espera de ingressos já está no número 150, o que corresponderia a mais duas apresentações. Os organizadores do FTC ainda não descartaram a possibilidade de espetáculos extras, mas também não acenaram com uma definição.
O cenário do presídio passa, segundo a produtora Fernanda Signorini, a sensação de confinamento, de ser preso numa determinada situação. Nenhum lugar é melhor do que um presídio para possibilitar ao público todas as angústias do ambiente.
A linguagem do texto é contemporânea, as aflições do personagem central, João (Vanderlei Bernardino), são atuais, o espaço é urbano e a miséria humana é a mesma com a qual as pessoas comuns se deparam no dia-a-dia. É nesse ambiente de desolação que o público percorre os corredores do presídio atrás de João.
A companhia Teatro da Vertigem, de São Paulo, já realizou outras montagens inusitadas, como O Paraíso Perdido, levado para dentro de uma igreja, e O Livro de Jó, que teve como palco um hospital. As duas peças foram montadas em São Paulo.
Escrito pelo dramaturgo Fernando Bonassi, o texto teve quatro fases de criação. Primeiro, o diretor e o autor debruçaram-se no texto bíblico Apocalipse, de São João. Escolhidos os atores, foram realizados os workshops e leituras públicas.
Junto com os primeiros ensaios, os personagens começaram a ser construídos, e na última fase o diretor fez a adaptação do espetáculo ao local definido. A produção afirma que o espetáculo que será visto em Curitiba é o mesmo que foi levado a São Paulo, sem modificações. Em setembro, a peça segue para Portugal.





