Celso Pacheco/Arquivo FolhaCena de ‘‘Jennifer - o Amor É Mais Frio que a Morte’’, montagem do ProteuO grupo de teatro Proteu retornou semana passada da Espanha, onde participou como convidado da 2ª Mostra Internacional de Teatro Universitário, trazendo na bagagem sucesso de público e crítica e a notícia de que agora é oficialmente um órgão da Universidade Estadual de Londrina, 20 anos depois de ser criado.
O grupo viajou à Espanha a convite do Centro Latino-Americano de Criação e Investigação Teatral e fez três apresentações do espetáculo ‘‘Jennifer - o Amor É Mais Frio que a Morte’’, nas cidades de Lugo, Orense e Pontevedra. Segundo a atriz e chefe da Divisão de Teatro da Casa de Cultura, Maria Fernanda Coelho, o Proteu foi um dos grandes destaques da Mostra. ‘‘Já tínhamos um certo respaldo, graças aos trabalhos ‘Carmelita Adeus’ e ‘Terra do Nunca’, que apresentamos naquele país, em 93. Acho que podemos creditar parte do sucesso a estes dois trabalhos anteriores’’ - diz.
Em Lugo, na primeira apresentação na Mostra, o grupo foi assistido por cerca de 400 pessoas e teve a primeira boa surpresa da viagem: os atores tiveram que voltar à cena três vezes para receber os aplausos. ‘‘Estávamos meio receosos por causa do idioma, sem saber se o público iria ou não entender ‘Jennifer’, que é um espetáculo bastante denso. Mas, no final, isto não foi problema’’ - conta.
Público crítico Na segunda parada do grupo, Orense, 600 pessoas lotaram a platéia. ‘‘Foi um dos locais mais tensos para nós, porque a cidade tem uma grande tradição teatral e o público é bastante crítico’’ - explica. Mesmo assim, o Proteu recebeu uma ovação estrondosa e a segunda boa surpresa da viagem: na entrevista coletiva para imprensa que Fernanda participou, todos os jornalistas sabiam quem era o Proteu e Nitis Jacon. ‘‘Além disto, eles tinham um respeito significativo pelo nosso trabalho’’ - afirma.
Naquela mesma cidade foi feito um ‘‘colóquio’’ com o público e outros grupos. ‘‘Foi uma espécie de intercâmbio para que pudéssemos falar do nosso espetáculo e receber informações de outros. E a gente ficou muito feliz em saber que o espetáculo tinha atingido o objetivo de passar verdade e vibração para o público’’ - afirma. Ali também foram assistidos por um dos organizadores do Festival de Madrid, que acenou com a possibilidade do grupo retornar à Espanha, em outubro.
Na última apresentação, em Pontevedra, o grupo também foi assistido por cerca de 400 pessoas, sendo que boa parte do público era composto por outros grupos que participavam da mostra. E a receptividade foi excelente. ‘‘Eu avalio que este é o resultado de um trabalho que o grupo vem desenvolvendo há 20 anos e acho que, neste espetáculo, a gente conseguiu o que a Nitis vem nos ensinando desde o começo: passar a verdade’’ - diz.
Segundo ela, a participação do Proteu no Mostra Universitária foi uma feliz coincidência para o momento que o grupo vem vivendo. ‘‘Nos parece absolutamente importante porque veio ao encontro de nossa proposta de revitalizar o teatro universitário, coisa que já estamos fazendo na Mostra Regional e que pretendemos desenvolver. E, lá, nós pudemos assistir grupos universitários de vários países como Portugal, Argentina, Ilha da Madeira e da própria Espanha’’ - avalia.
Para Fernanda, o grupo está vivendo um momento bastante feliz. ‘‘Além de tudo, recebemos, ainda em Orense, a notícia que a UEL está oficializando o Proteu como grupo de teatro oficial da universidade e pode vir a funcionar até mesmo como um órgão. Isto vai nos proporcionar uma autonomia para desenvolver trabalhos mais amplos e diversificação de projetos. Além disto, com a criação do curso de Artes Cênicas, que já vai ter seu primeiro vestibular em julho, o Proteu e o Filo vão ser grandes fontes de subsídios’’ - afirma.

mockup