Salvador, 23 (AE) - Os tambores do Panorama Percussivo Mundial (Percpan) vão deixar as quatro paredes do Teatro Castro Alves (TCA) para ganhar as ruas de Salvador, na 6.ª versão do evento, entre os dias 24 e 27 de março. A noite de abertura do festival, na Praça do Campo Grande, terá a encenação de uma espécie de ópera tribal, conduzida pelo diretor de teatro Márcio Meireles.
O cantor e compositor Gilberto Gil e o percussionista Naná Vasconcelos, coordenadores artísticos do Percpan, explicam que a idéia de reservar um dia para a arte cênica se deve à participação cada vez maior no festival desse tipo de manifestação. "Dentro do tema deste ano, Tambores, decidimos realizar essa grande celebração tribal ao ar livre", comentou Gil. A ópera é baseada na "Noite dos Tambores Silenciosos", cerimônia tradicional dos maracatus pernambucanos.
"É realizada numa praça de quatro cantos, na qual cada grupo fica numa das esquinas se apresentando", contou Naná. Participarão grupos da Bahia, Pernambuco, Maranhão, Xingu e EUA. "Deve ser maravilhoso e vai atrair muita gente", disse Gil, informando que a direção do Percpan aguarda a liberação do Campo Grande pela perfeitura para realizar o festival.
Outros dois eventos de rua previstos para este ano serão as visitas dos músicos estrangeiros às sedes dos blocos Olodum e Apaches do Tororó. Ao todo, o Percpan terá a participação de nove grupos e dois solistas. Além dos brasileiros, músicos da Índia, Haiti, Burundi e Estados Unidos estão confirmados no festival. A cantora Maria Bethânia é a artista mais conhecida entre os participantes.
Cantará músicas do seu novo CD, "A Força Que nunca Seca", e apresentará um trabalho baseado no rico caldo cultural do Recôncavo Baiano. Para tanto, convidou o compositor e pesquisador Roberto Mendes, conterrâneo de sua cidade natal, Santo Amaro da Purificação.
Gilberto Gil destaca outro grupo como uma das atrações do 6.º Percpan, Os Tambores do Burundi. O grupo foi convidado nos dois últimos anos, mas não pôde vir por causa da guerra civil de seu país. "Este ano, eles conseguiram fazer uma turnê pela Europa e Estados Unidos e felizmente vamos trazê-los".
Apesar da grande salada percussiva do festival, Gil espera uma certa harmonia nas apresentações. "Os tambores transmitem uma idéia aquosa, menos pontiaguda que outros instrumentos percussivos", acredita.
Responsável pela escolha das atrações, Naná Vasconcelos garante que o Percpan tem grande repercussão na cena musical internacional. "É o único festival do gênero no planeta e desperta atenção, pois a percussão é o ingrediente básico da música popular no mundo" acrescentou.

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