Apenas um bom programa
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quinta-feira, 06 de setembro de 2001
Celso Mattos 
O diretor Gus Van Sant se destacou no meio cinematográfico com filmes polêmicos como ''Garotos de Programa'' e ''Drugstore Cowboy'' que deram a ele o atestado de praticar o ''cinema de autor''. Mas depois caiu em desgraça com produções impiedosamente malhadas pela crítica como ''Até as Vaqueiras Ficam Tristes''. Se recuperou um pouco com ''Gênio Indomável'', mas naufragou de vez ao decidir refilmar ''Psicose'' de Hitchcock.
Depois de tantos altos e baixos, o cineasta resolveu voltar ao set munido de uma humildade socrática para dirigir ''Encontrando Forrest''. Um filme simples e com atores desconhecidos, com exceção de Sean Connery. O roteiro é sensível e bem-construído, a direção é segura, o que garante à produção o status de um bom programa. A história tinha tudo para ser piegas, pois explora uma premissa nada original: o jovem negro Jamal Wallace (interpretado pelo talentoso novato Robert Brown) além de ser bom no basquete, tem um dom revelador para a literatura.
Com um misto de rebeldia, encantamento e curiosidade, ele começa a manter um relacionamento com um velho eremita que mora em um apartamento próximo à quadra de basquete, mas não sabe que se trata de William Forrester (Sean Connery), um famoso escritor que na década de 50 publicou um livro que foi bastante festejado pela crítica, mas depois desapareceu de cena. Os longos, mas nada cansativos, diálogos entre os dois personagens são jogos onde cada um tenta conquistar a confiança do outro por intermédio da literatura.
''Encontrando Forrester'' está longe de ser um grande filme. É apenas um bom programa cinematográfico para quem quer dar um tempo às explosões de carros e às perseguições policiais que predominam no cinema norte-americano. Lançamento da Columbia. Duração: 136 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
Vatel
Com imagens para massagear os olhos e um elenco estelar, ''Vatel'' foi escolhido para a abertura do Festival de Cannes de 2000, evento em que o diretor Roland Joffé recebeu a Palma de Ouro por ''A Missão'', em 1987. Como Gérard Depardieu, Tim Roth e Uma Thurman no elenco, o filme tem uma caprichada direção de arte que rendeu uma merecida indicação ao Oscar deste ano.
Mas há uma precondição para assistir ''Vatel'': gostar de Gérard Depardieu, pois o filme gira em torno dele. O ator interpreta um ''promoter'' que tem o desafio de organizar uma majestosa recepção ao rei Luís 14, em 1671. Sua maior qualidade era também seu maior defeito: a obsessão com qual se encarregava dos detalhes que pudesse arruinar o evento.
A história é baseada na vida de François Vatel, que devido ao seu perfeccionismo doentio, acabou cometendo suicídio porque uma remessa de peixe, vital para a composição do banquete, não chegou a tempo. Uma coisa é certa: ninguém deveria se apresentar como organizador de festas antes de assistir a ''Vatel''. Lançamento da Imagem Filmes. Duração: 122 minutos.
Malena
Giuseppe Tornatore emocionou o mundo com seu sensível ''Cinema Paradiso'', vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Depois ficou um bom tempo sem o brilho dos holofotes. E quando fez ''A Lenda do Pianista do Mar'', no ano passado, seu primeiro trabalho em língua inglesa, recebeu várias críticas, nem todas merecidas já que é um belo filme.
Para contar a história de ''Malena'', o diretor voltou à Itália e reencontrou seu elo perdido com esta bela fábula romântica sobre o início da puberdade e os perigos da beleza excessiva. Ambientado durante a Segunda Guerra Mundial, ''Malena'' registra a paixão de um adolescente pela bela Malena (Monica Bellucci) que acaba criando uma doce relação platônica com seu objeto do desejo, uma mulher bem mais velha, cujo o marido foi para a guerra. A paixão do garoto é capturada pela intensa trilha sonora composta por Ennio Morricone. ''Malena'' mostra mais uma vez que Tornatore ainda consegue ir fundo na alma humana. Lançamento da Imagem. Duração: 94 minutos.


