Apenas cinco brasileiros no grupo
São Paulo - Cinco hotéis brasileiros têm certificação The Leading Hotels of the World. Em São Paulo, são os hotéis Casa Grande (Guarujá), Emiliano, Fasano e L'Hotel; no Rio de Janeiro, o Copacabana Palace. E, como os demais no mundo, recebem grande número de hóspedes internacionais.
Das reservas feitas no Copacabana Palace no ano passado 81,8% foram de estrangeiros. Entre os hotéis localizados na capital paulista, a média ficou um pouco superior a 60% de reservas de estrangeiros. O Casa Grande teve o menor percentual, 5% em 2004. Segundo a direção da Leading - associação que gerou o dado -, o porcentual deve crescer este ano. A meta é chegar a 10%.
Os hotéis certificados pelas associação no Brasil se dividem em dois grupos, Leading e Leading Small (usados para hotéis com número de apartamentos menor que cem). A diferença é estritamente relacionada ao tamanho, não à qualidade do serviço. A cada 18 meses, todos os hotéis certificados pela rede são inspecionados. Uma inspeção que observa mais de 1.500 itens é e feita por um espião, sem prévio aviso. Ele passa alguns dias no hotel como hóspede. No fim, se apresenta para observar as partes fechadas a hóspedes, como a cozinha.
Detectado algum problema, o hotel é descredenciado imediatamente. Não perde apenas a certificação, mas o direito de ser incluído num dos principais guias internacionais de hotéis de alto luxo. ''A certificação é importante, mas, para hotéis independentes (que não são parte de uma rede internacional), é fundamental a presença num guia internacional. Isso não seria possível para um hotel único'', explica Hans Heinz, diretor do Hotel Fasano, em São Paulo.
Heinz trabalhou três anos no Hotel Plaza Athénée, em Paris, também um Leading. A aposta na sofisticação permitiu que o Fasano fechasse o primeiro ano com ocupação de 55%. Já no primeiro semestre deste ano, a média de ocupação já alcançou 70%. A média em São Paulo está aquém desse número, explica Heinz. Varia entre 40% e 45%.
O hotel e restaurante da Família Fasano e de João Paulo Diniz (filho do dono do Grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz) tem 56 quartos e oito suítes. Criado dentro do conceito Leading, o hotel já passou por três inspeções secretas. Além da certificação, o empreendimento aposta na tradicional cozinha italiana, base do restaurante Fasano.
O L'Hotel, em São Paulo, construído há uma década e há três anos classificado como Leading Small, considera a certificação uma excepcional promoção internacional. ''Não é possível mensurar o retorno pelo fato de sermos um hotel Leading. O que podemos dizer é que há ganhos importantes em sermos um hotel de classe mundial, com nível de serviço igual ao dos melhores do mundo'', explica Márcia Petzold, diretora de Vendas e Marketing do L'Hotel. Com 73 apartamentos e 7 suítes, o hotel ressalta o requinte da decoração dos quartos e ambientes compartilhados, a cozinha italiana (Toscana) e o fato de estar no coração econômico do País.
Embora os hotéis tendam a ressaltar os atributos físicos de suas instalações, o fator determinante é o serviço. Segundo o escritório brasileiro da Leading Hotels, pelo menos oito hotéis brasileiros se habilitam para uma inspeção a fim de se tornarem um Leading. Muitos desistem no caminho.
A exigência não é pequena, tampouco o custo do investimento. O primeiro ponto é a vocação para ser um hotel de luxo. A diária média é de US$ 180, precisam ter porcentagem mínima de suítes, além de um staff com fluência em inglês. ''O que percebemos é que o nível do serviço em hotéis brasileiros é ruim. O salário médio dos funcionários é baixo e a formação média, fraca. Não basta ambiente de muito requinte, o serviço é feito por pessoas. O investimento humano é essencial'', diz João Anibal, diretor-executivo do escritório brasileiro The Leading.





