Ninguém exige que o cinema somente faça documentários sobre flagelos que assolam os povos em condições sub-humanas ao redor do mundo. A ficção, quando elevada a padrões de dignidade, também contribui para a denúncia, o debate e a busca de soluções. Diante desta primária assertiva didática que qualquer cinéfilo mais ou menos atento é capaz de assimilar nas salas escuras, um filme como ''Amor Sem Fronteiras'', em lançamento a partir de hoje em Londrina (veja a programação de cinema nesta página) é um despropósito, um desrespeito a qualquer causa humanitária legítima em defesa dos milhões de vítimas da guerra, da fome, da indiferença de quem detém o poder.
Angelina Jolie é Sarah Jordan, classe média alta, socialite fútil que vive num bem abastecido universo de faz-de-conta. Até que conhece um médico, Nick (Clive Owen), que invade uma festa com um desnutrido menino somali nos braços em busca de fundos para ajudar aquele povo. Ela então embarca numa cruzada integrada a grupos de ajuda humanitária que atuam na Etiópia, Cambodja e Chechenia (respectivamente, locações na Namília, Tailândia e Canadá), e também numa aventura romântica com o doutor.
Nada a fazer diante do mau gosto do diretor neozelandês Martin Campbell (no momento atual, uma vergonha para a pátria do ''Senhor dos Anéis'') e de um inacreditável roteiro que não dispensa nenhuma oportunidade de chocar, aproveitando todos os golpes baixos à mão. O resultado é um desastre coletivo, capaz de envergonhar em doses iguais tanto entidades governamentais quanto ONGs envolvidas com a grande miséria do Terceiro Mundo. A fogosa Jolie, entre crianças raquíticas morrendo de cólera e sarampo, ao som de uma trilha épica, é no mínimo uma afronta.(C.E.L.J.)

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