Apelação preocupa tevês educativas
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domingo, 20 de setembro de 1998
Da Redação 
ReproduçãoPreocupados com a vulgarização dos programas das televisões abertas, as diretorias das emissoras de televisões educativas e culturais do País prometem um esforço conjunto para brigar pela audiência, através de uma programação alternativa de bom gosto.
Nós como TVs Educativas e Culturais temos a obrigação de reverter o quadro de programação dos domingos, das TVs comerciais, pois o nível baixou e a programação é cada vez mais apeladora, analisou o diretor da TV Cultura de São Paulo Jorge Cunha Lima, durante a abertura do Encontro das Televisões Educativas e Culturais, que aconteceu de 17 a 19 de setembro no Hotel Caravelle em Curitiba.
O diretor da TV paulista mostrou o caminho para alcançar aquele objetivo, temos que lutar pela audiência aberta. Enquanto as outras querem uma audiência universal - que significa todo mundo. o tempo todo, ao mesmo tempo, e isso implica numa excessiva desqualificação da programação - nós temos que nos preocupar com a qualificação dos programas para um determinado público, buscando, o universo da audiência.
A secretária de Estado da Cultura Lúcia Camargo presidiu a abertura do encontro. Durante três dias, presidentes e diretores de programação, de 14 das 23 empresas que integram a Associação Brasileira das Emissoras Públicas Educativas e Culturais (Abepec) debateram e analisaram os principais problemas que envolvem as redes de TVs públicas. A uniformização das programações foi a tônica do encontro.
O jornalismo praticado pelos canais comercias de TVs abertas e por assinatura preocupa os dirigentes das empresas públicas de televisão. Para eles, o Brasil e o mundo passam por uma crise de valores resultante da globalização, que acaba mostrando apenas o escândalo e a violência.
Por isso, as TVs públicas exigem uma revisão profunda no conceito de jornalismo, através da criação de pautas que não visem ao escândalo e que se limitem a mostrar apenas a violência intrínseca ao fato divulgado.
A proposta é a formulação de uma pauta mais voltada para a cidadania do que para o consumo. Queremos um tratamento mais qualificado, fugindo completamente da pauta jornalística compulsória que as outras emissoras exibem, completa Cunha Lima.
Como projeto inédito, a TVE do Rio de Janeiro lança este ano uma série de programas que inclui Reforma do Estado, Formação do Trabalhador e a 3ª série de Programas Sociais.
Para o diretor-presidente da televisão carioca, Mauro Garcia, estes programas representam uma grande conquista, com resultados positivos concretos. Não podemos abrir mão de projetos nacionais, pois esta é a grande conquista de viabilização das emissoras públicas, a uniformização de programação unindo a cooperação com a profissionalização.
No encerramento do encontro foi divulgada a Carta de Curitiba.


