Aparecida recebe rara coleção de arte sacra
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domingo, 10 de julho de 2016
Antonio Gonçalves Filho<br>Agência Estado 
O museu do Santuário Nacional de Aparecida é ainda pouco conhecido, a despeito de receber por ano o mesmo número de visitantes do Masp (400 mil pessoas). Na última sexta (8), ele ganhou uma rara coleção de arte sacra, um conjunto de 54 peças do século 17 pertencente ao colecionador e engenheiro paulista Ladi Biezus, também dono de uma coleção com algumas das melhores telas do maior pintor moderno do Brasil, Alfredo Volpi. Biezus cedeu ao museu, em regime de comodato, todas essas obras de mestres santeiros paulistas, ato generoso igualmente raro no País.
Elas estavam expostas até recentemente no Museu de Arte Sacra de São Paulo, por onde passam 50 mil pessoas por ano, mostra acompanhada por um livro organizado por Antonio Carlos Suster Abdalla, Mestres Santeiros Paulistas do Século 17 na Coleção Santa Gertrudes. Carioca, frei Agostinho passou por Santana do Parnaíba, onde teria esculpido uma imagem de Nossa Senhora da Conceição em terracota, encontrada meio século após sua morte, em 1717, nas águas do rio Paraíba do Sul, região de Guaratinguetá, provavelmente a mesma que viria a ser cultuada pelos fiéis como Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil. Pode não ser a pura verdade histórica, mas é a versão mais popular.
A recuperação da imagem de Aparecida no rio Paraíba é comparada por Biezus a um mergulho no inconsciente do povo brasileiro. "Ficava incomodado com o que fazer com a coleção e aí me deu o estalo de ceder o acervo a Aparecida", revela Biezus, católico que tem feito da exposição de sua coleção um ato de fé.


