Aparecida, a cidade-santuário
São Paulo - Aparecida, a 168 quilômetros de São Paulo, vive do turismo religioso. Ano após ano, mais de 7 milhões de devotos acodem à cidade que guarda a imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a padroeira do Brasil. Mas nem assim a prefeitura sabe informar quanto arrecada por meio do setor considerado o principal vetor econômico do município de quase 35 mil habitantes.
A estrutura do denominado Santuário Nacional impressiona. Há duas Basílicas, a Velha e a Nova, ligadas por uma passarela com 500 metros de extensão. Ao redor do complexo orbita a vida turística e econômica da cidade, que dispõe de 134 meios de hospedagem, num total de 16.658 leitos, para todos os bolsos. Palco de grandiosas celebrações, a Basílica Nova pode abrigar até 45 mil fiéis.
Essa estrutura fica acanhada no 12 de outubro. No feriado nacional, mais de 200 mil fiéis comparecem à Basílica para orar e agradecer a graças alcançadas. Alguns levam fotografias, velas e ex-votos para depositar na Sala das Promessas. Outros renovam a fé na Capela das Velas. E todos buscam a bênção de Nossa Senhora, provavelmente a imagem em barro cozido mais cultuada do Brasil.
A cidade-santuário acomoda como pode tanta gente. E ainda promete novidades, como a construção da Praça de Eventos no Santuário Nacional, anunciada para este ano. Aparecida oferece, ainda, um entretenimento a mais. O Magic Park, um parque temático a cerca de 500 metros da Basílica Nova. Outras informações pelo 0800-17-4006 ou pelo www.magicpark.com.br.
Grande parte dos peregrinos que passam por Aparecida aproveitam para dar uma esticadinha até Guaratinguetá, a cinco quilômetros dali. A estimativa é da secretaria municipal de Esportes, Turismo e Lazer. Segundo o chefe da pasta, Jonas Tadeu Iacovantuono, a cidade recebe, todos os meses, 15 mil visitantes, principalmente nos fins de semana, quando cem ônibus de excursão chegam por lá.
Eles vão com um único objetivo: visitar os lugares onde viveu e por onde passou Frei Galvão (1739-1822). Beatificado pela Igreja Católica em 1998, o frei ficou conhecido pelas milagrosas pílulas de papel. E a cidade onde ele nasceu também. Há seis anos, Guaratinguetá prova do gostinho do turismo religioso 25 de outubro, aniversário da beatificação é a data mais concorrida e corre para melhorar a infra-estrutura para receber visitantes.
Para se ter uma idéia, em 1996, o município tinha 1.500 leitos de hotel disponíveis, número que quase dobrou e hoje chega a 2.800 leitos. ''Houve grande investimento. Temos mais restaurantes e lanchonetes para atender aos turistas e postos de informação'', diz o secretário. ''Mas ainda falta um trabalho de turismo receptivo.''
Falta também um estudo aprofundado sobre esse visitante. Não há, por exemplo, dados sobre a receita que o município arrecada com esse tipo de turismo, nem o perfil de quem procura lugares como a Casa de Frei Galvão (Rua Frei Galvão, 78), que guarda objetos e relíquias do religioso, ou a Catedral de Santo Antônio (Praça de Santo Antônio, s/n.º), local de batismo e da primeira missa de Frei Galvão.





