Apagão não vai prejudicar a Cultura
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sexta-feira, 01 de junho de 2001
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
Na noite de quinta-feira, o segundo andar do Palácio Iguaçu foi transformado em estúdio de televisão, com direito a cenário de uma sala de estar iluminado por cerca de 50 spots. Por ali passaram desde atores e técnicos de TV até o secretário de Comunicação do governo, Rafael Greca, o governador Jaime Lerner e o ministro da Cultura, Francisco Weffort. Todo o aparato justificou-se para a inauguração da rede Canal Paraná, integrando 21 televisões educativas do interior. O programa foi ao vivo para todo o Estado, com apresentação de Marcelo Tass, da TV Cultura de São Paulo.
Em entrevista à Folha 2, após a solenidade, o ministro da Cultura mostrou-se à vontade com estes tempos que direcionam ao apagão. Simplesmente, porque não haverá apagão. Nós, no Brasil, estamos como aquele sujeito que começa a sofrer antes que ele encontre o verdadeiro problema.
A questão apresentada a ele referia-se à interferência que a cultura e o lazer sofrerão com as novas medidas de contenção de energia. Weffort não vê escuridão no fim do túnel, desde que se respeite o racionamento. Didático, explicitou: Se nós não fizermos racionamento, vai ter apagão. Mas como nós estamos fazendo, não vai ter apagão.
Pois bem, mas o racionamento pode afetar a manifestação cultural? Eu não vejo porquê, devolveu o ministro. Pegue as manifestações de raiz, as festas juninas. Festa junina se faz com lampião, com fogueira. Agora, se você quiser fazer um negócio técnico, sofisticado, mesmo numa festa junina, instale um gerador.
Para Francisco Weffort setores como os do cinema e teatro, que atuam em horários noturnos, também não existe problema. A saída é racionar naquilo que se pode racionar para que a gente possa gastar naquilo que a gente quer gastar.
Ilustrando seu raciocínio, usou como exemplo a produção feita no Palácio Iguaçu. Aqui temos um pequeno espetáculo e tem um monte de luzes. Mas estamos racionando em alguns lugares do próprio governo, para que isso seja possível aqui.
Sobre a criação da Rede Canal Paraná o ministro elogiou a iniciativa do governo estadual. A TVE é educativa também em relação a outros canais de televisão. Ela tem que ter uma função de exemplaridade, mostrar uma qualidade na sua programação que sirva de exemplo, de paradigma para aquilo que outras televisões oferecem ao público.
Para ele a grande conquista deste projeto é a unificação cultural do Estado, que detém uma característica peculiar a distinção que há entre as regiões Norte e Sul, seja ela geográfica como também em seus costumes e sua cultura.
O secretário de Comunicação, Rafael Greca, comemorava o feito. O interior agora é só dentro da gente. Num mundo ligado em rede, era atrasada uma TV Educativa que terminava no Rio Passaúna, frisou. Agora é uma rede que pode se ampliar sempre mais.
Greca planeja injetar recursos na televisão e aumentar seu potencial. No mês que vem entramos na Internet, comentou. A Rede Canal Paraná estreou com uma grade de 15 programas, mas em breve deverá ter missa com sotaque paranaense. Para que isso aconteça o secretário de Comunicação vai se empenhar pessoalmente, segundo afirmou. Chega de Missa de Aparecida do Norte. Terá missa do Palácio Iguaçu, ou da Igreja Nossa Senhora do Rocio, em Paranaguá, ou da Catedral de São Pedro em Pato Branco, ou da Igreja Nossa Senhora da Glória em Maringá.
Estou radiante. Hoje é um sonho. Oito milhões de paranaenses vão assistir ao Paraná, disse o governador a Marcelo Tass no primeiro telejornalismo da rede. O número citado por ele é do mercado em potencial, e não necessariamente dos telespectadores que efetivamente se postarão frente à tela.
Lerner considerou ser muito importante que um canal de televisão voltado ao segmento cultural, tenha liberdade, sem nenhuma amarra, com todas as possibilidades para que seja realmente uma janela para a cultura do nosso Estado. Essa janela, abrindo-se para os cenários locais, deve ter as mesmas funções tanto para quem é de fora, como para seus próprios moradores.
Na diversidade cultural do Estado, a rede desempenhará um papel fundamental de divulgação e entrosamento. O governador acredita que o canal dará oportunidade para que se reforce a nossa identidade. Lerner brincou que o Estado não tem parques temáticos mas, dando a entender sua formação étnica, temos cidades, regiões temáticas.
A cultura produzida nesses locais é uma coisa extraordinária, afirmou. Abrir espaço na TV à vanguarda cultura é uma de suas ambições. Já que o artista é aquele que primeiro sente a sociedade, é muito importante que possamos abrir esse espaço para que todos os artistas paranaenses possam se comunicar cada vez com mais gente, determinou.


